Três dias após o segundo turno das eleições presidenciais no Peru, a disputa entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori permanece aberta e marcada por uma diferença extremamente apertada. Com mais de 98% das urnas apuradas até a manhã desta quarta-feira (10), os dois candidatos estavam separados por pouco mais de quatro mil votos, mantendo o país em clima de expectativa quanto ao resultado definitivo.
Com base nos dados oficiais da autoridade eleitoral peruana, Sánchez aparecia na liderança com 50,017% dos votos válidos, enquanto Fujimori somava 49,983%. A distância entre os concorrentes representava menos de um ponto percentual, evidenciando uma das disputas presidenciais mais equilibradas da história recente do país.
A apuração teve uma dinâmica marcada por reviravoltas. Quando os primeiros números oficiais foram divulgados, na noite de domingo (7), Keiko Fujimori iniciou a contagem com uma vantagem de cerca de cinco pontos percentuais sobre o adversário. No entanto, à medida que novas urnas foram contabilizadas, especialmente das regiões do interior, a diferença começou a diminuir gradualmente.
Na manhã de segunda-feira (8), a vantagem da candidata conservadora já havia caído para menos de um ponto percentual. Nos dias seguintes, Roberto Sánchez ultrapassou a rival e passou a liderar a contagem, ainda que por uma margem extremamente estreita.
Apuração pode levar vários dias
A autoridade eleitoral peruana informou que o resultado oficial poderá demorar para ser proclamado. O processo de votação no país é realizado por meio de cédulas de papel, o que torna a conferência e a totalização dos votos mais demoradas, sobretudo em uma eleição tão disputada.
Até a última atualização, 98,207% das urnas nacionais já haviam sido contabilizadas. No exterior, entretanto, a apuração avançava em ritmo mais lento, alcançando pouco mais de 67% dos votos. Entre os peruanos residentes fora do país, Keiko Fujimori mantinha ampla vantagem, com 62,46% dos votos, contra 37,54% obtidos por Sánchez.
O Peru possui cerca de 27,3 milhões de eleitores aptos a votar e acompanha atentamente cada atualização da contagem, já que qualquer variação pode influenciar o resultado final.
Quem são os candidatos
Keiko Fujimori disputa a Presidência pelo partido Força Popular, legenda criada por ela em 2008 para representar o movimento político associado ao legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori. Esta é a quarta tentativa da candidata de chegar ao Palácio do Governo. Ela já havia sido derrotada em segundos turnos nas eleições de 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno de 2026, conquistou 17,2% dos votos válidos.
Já Roberto Sánchez, deputado e representante da legenda Juntos pelo Peru, avançou ao segundo turno após receber 12% dos votos na primeira etapa da eleição. Sua principal base eleitoral está concentrada em áreas rurais e regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Crise política marca cenário peruano
O processo eleitoral ocorre em um contexto de forte instabilidade institucional. O primeiro turno registrou um recorde de 35 candidatos à Presidência, refletindo a fragmentação do sistema político peruano.
Nos últimos dez anos, o país teve nove presidentes diferentes, apesar de os mandatos constitucionais terem duração prevista de cinco anos. O cenário contribuiu para o aumento da desconfiança da população em relação às instituições públicas.
Pesquisas recentes apontam que cerca de 90% dos peruanos afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso. Além disso, apenas 10% da população declara estar satisfeita com o funcionamento da democracia, um quadro que especialistas classificam como resultado de uma crise de confiança persistente na política nacional.






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