O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, afirmou que pretende ultrapassar a marca de 6 mil exonerações de servidores não concursados e disse já ter economizado cerca de R$ 2,3 bilhões desde que assumiu o comando do Palácio Guanabara. Em entrevista ao Estadão, o desembargador admitiu que recebeu um “abacaxi” ao assumir o Executivo fluminense, mas declarou acreditar que os problemas do Estado podem ser solucionados com medidas de gestão e controle de gastos.
Segundo Couto, já foram realizadas 3.072 exonerações e o número deve crescer nas próximas semanas. O governador em exercício argumenta que muitos cargos comissionados não tinham uma justificativa clara para existir e afirmou que a revisão da estrutura administrativa tem permitido reduzir despesas e reavaliar contratos.
“Eu acho que a gente vai passar de 6 mil”, declarou.
Máquina pública na mira
Ao comparar sua gestão com a administração anterior, Couto afirmou que prioriza a valorização de servidores concursados e a racionalização da estrutura estatal. Segundo ele, o Rio de Janeiro possui atualmente 32 secretarias e há espaço para enxugamento da máquina pública.
O governador em exercício revelou ainda que algumas subsecretarias já foram extintas. Como exemplo, citou uma subsecretaria de gastronomia vinculada ao Gabinete Civil, que, segundo sua avaliação, não possuía justificativa adequada para continuar funcionando.
Durante a entrevista, Couto afirmou que parte das exonerações envolve pessoas que, na sua visão, não estavam produzindo o esperado. Questionado sobre a existência de funcionários fantasmas, respondeu que alguns casos poderiam se enquadrar nessa definição popular.
Rio tem solução, diz governador
Apesar do cenário fiscal delicado, Ricardo Couto demonstrou otimismo em relação ao futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Rio de Janeiro enfrenta dificuldades históricas, mas possui condições de recuperação.
“O Rio de Janeiro tem solução, basta uma boa gestão. Tem solução fácil, fácil”, afirmou.
O magistrado também criticou o crescimento de despesas em anos eleitorais e defendeu uma revisão permanente dos contratos públicos. Para ele, a economia obtida com cortes pode abrir espaço para melhorar a remuneração de áreas consideradas estratégicas, como a educação.
Banco Master e Rioprevidência
Outro tema abordado foi a situação dos recursos do Rioprevidência investidos no Banco Master. Couto afirmou que já foram mapeados e bloqueados R$ 1,4 bilhão dos cerca de R$ 3 bilhões aplicados pelo fundo de aposentados e pensionistas do Estado.
Segundo ele, a expectativa é recuperar ao menos 80% dos valores perdidos. O governador em exercício disse acreditar que há mecanismos jurídicos e tecnológicos capazes de rastrear os recursos e responsabilizar eventuais envolvidos.
Ao comentar sua experiência no comando do Executivo, Couto afirmou que nunca imaginou ocupar o cargo de governador e classificou a situação política do Estado como excepcional. Mesmo assim, disse que pretende seguir promovendo mudanças enquanto permanecer à frente da administração fluminense.






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