Ricardo Couto anuncia adesão ao Propag até o fim do mês: economia de R$ 400 milhões mensais

Estado deixará o Regime de Recuperação Fiscal para ingressar em modelo considerado mais vantajoso para renegociação de dívidas.

O Governo do Rio de Janeiro pretende formalizar até o fim deste mês a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mecanismo criado pelo governo federal para substituir o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e oferecer condições mais favoráveis para o pagamento das dívidas estaduais.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (8) pelo governador em exercício Ricardo Couto, após reunião em Brasília com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, as negociações avançaram e o estado trabalha para concluir as etapas necessárias para ingressar oficialmente no programa.

De acordo com Couto, o Ministério da Fazenda demonstrou disposição para avançar nas discussões envolvendo a situação fiscal do Rio de Janeiro.

Alívio nas contas estaduais

A principal vantagem da adesão ao Propag é a redução significativa do valor desembolsado mensalmente pelo estado para o pagamento da dívida com a União.

Segundo dados divulgados pelo governo federal, o Rio atualmente paga cerca de R$ 490 milhões por mês, valor definido por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a migração para o novo programa, a parcela cairia para aproximadamente R$ 113 milhões mensais, com aumento gradual ao longo dos próximos cinco anos.

A diferença representa um alívio imediato para o caixa estadual e amplia a margem para investimentos em áreas prioritárias.

O Propag também prevê prazos mais longos para quitação dos débitos e redução dos encargos financeiros, condicionando parte dos benefícios à ampliação de investimentos públicos.

Etapas ainda pendentes

Apesar da autorização concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de maio para que o Rio deixe o Regime de Recuperação Fiscal, a adesão definitiva ainda depende da conclusão de procedimentos técnicos.

Entre eles está a avaliação dos ativos que poderão ser utilizados para abatimento da dívida estadual. Um dos principais itens em análise é um crédito estimado em cerca de R$ 20 bilhões que o estado possui junto à Petrobras.

O modelo definitivo da operação ainda está sendo elaborado pelas equipes técnicas dos governos estadual e federal.

Banco Master entra na pauta

Durante a agenda em Brasília, Ricardo Couto também comentou os esforços para recuperar recursos aplicados por fundos previdenciários estaduais em investimentos ligados ao Banco Master.

Segundo o governador em exercício, estimativas preliminares indicam que o estado poderá recuperar cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de medidas judiciais.

O valor faz parte de um montante superior a R$ 3 bilhões investidos por fundos vinculados ao governo fluminense.

A questão ganhou repercussão após investigações da Polícia Federal apontarem que o Rioprevidência realizou aportes superiores a R$ 1 bilhão em fundos relacionados ao banco mesmo após alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Couto afirmou que já existem decisões judiciais favoráveis ao estado e que a atual gestão continuará adotando medidas para tentar recuperar os recursos.

Refit e dívida bilionária

Outro tema tratado pelo governador foi a situação da refinaria Refit, controlada pelo empresário Ricardo Magro.

Segundo Couto, uma nova reunião com representantes do governo federal foi marcada para discutir a possibilidade de desapropriação do terreno onde está instalada a empresa.

O governo estadual busca uma autorização formal da União para avançar com a medida, já que parte da propriedade está vinculada ao patrimônio federal.

A Refit possui uma dívida tributária estimada em R$ 9,4 bilhões com o Estado do Rio de Janeiro, valor que está no centro das discussões entre os governos estadual e federal.

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