O réu Arielson da Conceição dos Santos reafirmou sua participação no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete durante o primeiro dia de julgamento, realizado nesta segunda-feira (13). Em depoimento ao júri popular, ele declarou que a intenção inicial era apenas intimidar a vítima, mas a situação acabou fugindo do controle.
Segundo o acusado, a ação tomou outro rumo por influência de um dos envolvidos no crime, identificado como Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ”. A versão apresentada em plenário foi confirmada pelo advogado de defesa, Marcos Rudá.
Outras três testemunhas também foram ouvidas ao longo da tarde. Após o interrogatório de Arielson, a sessão foi suspensa e será retomada nesta terça-feira (14), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa.
Debates marcam continuidade do julgamento
O segundo dia do julgamento será dedicado aos debates entre acusação e defesa. Inicialmente, o Ministério Público e o assistente de acusação apresentarão seus argumentos, seguidos pela defesa do réu.
A condução da sessão está sob responsabilidade da juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, que preside o julgamento. A expectativa é de que os debates sejam decisivos para o desfecho do caso.
Antes do início do julgamento, manifestações foram realizadas pedindo justiça pela morte da líder quilombola, reforçando a repercussão social do crime.
Crime envolve disputa territorial, aponta Ministério Público
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de setembro de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. De acordo com o Ministério Público da Bahia, o crime está inserido em um contexto de disputa territorial.
A vítima era contrária à presença de integrantes do grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM) na comunidade, o que teria motivado a execução. Ainda segundo a acusação, o ataque foi premeditado e executado com múltiplos disparos de arma de fogo.
Além de Arielson, também respondem pelo crime outros suspeitos, incluindo Marílio dos Santos, que segue foragido. Eles são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e emprego de arma de uso restrito.
Outros três denunciados — Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, apontado como possível mandante — ainda aguardam definição sobre as datas de julgamento.






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