Às vésperas de apresentar formalmente o parecer final da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) acabou isolado por colegas e foi acusado de vazar trechos do documento.
Uma ala de senadores agora atua para convencê-lo a retirar partes alvo de divergência do texto. Caso o relator não ceda, congressistas avaliam apresentar emendas.
Segundo a Folha, o incômodo com Renan foi grande no chamado G7, grupo de sete senadores majoritário da CPI. O relator chegou a ser chamado de traidor pela suspeita de ter feito uma jogada política para expor trechos do texto e encurralar colegas que quisessem mudá-los.
O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), não quer mais conversas a portas fechadas sobre o relatório e afirmou nesta segunda-feira (18) que Renan deve manter “tudo aquilo que vazou”.
Outra ala, porém, ainda busca consenso. Mesmo sem reuniões do G7 previstas, senadores querem conversar individualmente com Renan.
O objetivo é evitar um fim traumático, com clima de guerra entre os senadores, em uma comissão que teve ampla repercussão e cuja maioria dos integrantes ditou o rumo dos trabalhos.
Apesar da fala de Aziz, o senador Randolfe disse que a ideia é reunir até a noite de hoje (19) senadores do grupo majoritário, além de integrantes da bancada feminina e outros parlamentares que participam das discussões da CPI para “dirimir” dúvidas sobre o relatório.
Renan começou a entregar aos senadores versões preliminares do relatório no fim da tarde desta segunda, com 70 indiciados, segundo o gabinete do relator. O texto ainda está sob ajustes.
A mudança mais recente foi inserir no capítulo sobre medicamentos sem eficácia o o caso da proxalutamida, e sugerir indiciar o endocrinologista Flávio Cadegiani, que liderou os estudos clínicos, o que deve fazer o número de sugestões de indiciamento subir a 71. Há ainda discussões sobre inserir mais um nome no capítulo das fake news.
Há intenção de convencer o relator a mudar o texto antes de amanhã (20). Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por exemplo, são parte da ala que quer se reunir para discutir o teor do parecer e evitar que ele seja colocado em votação sem consenso.
Saegundo Lauro Jardim, d Globo, senadores do grupo majoritário da CPI entendem que Renan Calheiros vazou trechos do seu relatório final, em torno do qual ainda há muita divergência a ser vencida, com a finalidade de emparedá-los. Nos cálculos desses parlamentares, o relator os expôs à opinião pública como forma de pressioná-los a não abrandar a peça final da CPI da Covid.
Um dos temas polêmicos é o indiciamento de Bolsonaro por genocídio. Omar Aziz já se manifestou contrário, mas mesmo senadores de oposição entendem que a tipificação é precária. Por isso, queriam mais tempo para, internamente, vencer as diferenças.
Agora, com pontos cruciais do relatório divulgados, entendem que será difícil retirar trechos de que discordam sem passar a imagem para a população de que estão aliviando as responsabilidades dos citados, como o próprio presidente da República.
O péssimo clima criado interrompeu as discussões e muitas das conversas entre os integrantes do colegiado.
Por outro lado, senadores entendem que, caso haja uma acerto da maioria para modificar partes sensíveis do relatório, um Renan contrariado pode tomar o gesto extremo de abandonar o posto e deixar a comissão. Exatamente como fez dois anos atrás quando, sentindo que perderia a eleição à Presidência do Senado para Davi Alcolumbre, abandonou a disputa e se retirou do plenário.






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