A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresenta nesta quinta-feira (23), em Brasília, o relatório final sobre o acidente do voo 2283 da Voepass. O ATR 72-500 caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, provocando a morte de 62 pessoas.
A investigação aponta que a aeronave enfrentou condições meteorológicas severas, com intensa formação de gelo durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). O cenário foi agravado por limitações operacionais do avião e pela forma como a tripulação reagiu aos alertas emitidos pelos sistemas de bordo.
Segundo os dados obtidos durante a investigação, os pilotos receberam avisos relacionados ao sistema antigelo da aeronave e acionaram e desligaram o equipamento diversas vezes. Em um determinado período, o avião teria permanecido por cerca de seis minutos sem a proteção contra a formação de gelo.
Sistema antigelo foi acionado de forma intermitente
O ATR 72 utiliza diferentes mecanismos para reduzir os efeitos do congelamento em voo. Entre eles estão as chamadas icing boots, estruturas pneumáticas instaladas nas bordas das asas e da cauda que inflam e desinflam para quebrar o gelo acumulado.
A aeronave também conta com sistemas elétricos de aquecimento e mecanismos de proteção nas hélices e em sensores responsáveis por medir parâmetros importantes para o voo. Alertas visuais e sonoros informam a tripulação quando há condições de gelo ou possíveis falhas.
No voo 2283, porém, um alarme foi registrado pouco depois da decolagem. Os pilotos identificaram uma mensagem de falha relacionada ao sistema antigelo da estrutura da aeronave. Na sequência, o equipamento foi desligado e voltou a ser acionado e interrompido em diferentes momentos.
Alertas antecederam perda de controle da aeronave
A situação se agravou à medida que o ATR avançava sob condições de formação severa de gelo. De acordo com os dados da investigação, os sistemas de bordo registraram redução significativa da velocidade e do desempenho do avião, enquanto a tripulação mantinha comunicações de rotina e recebia orientações relacionadas à altitude.
Mesmo diante da deterioração das condições, não houve declaração de emergência à torre de controle nem solicitação de descida para uma altitude com temperaturas mais elevadas. A medida poderia ter sido utilizada para reduzir a formação de gelo e melhorar as condições de voo.
Pouco antes da queda, o copiloto reconheceu a gravidade do cenário e comentou sobre a grande quantidade de gelo acumulado. Às 13h20min05s, cinco segundos depois da observação, o sistema antigelo foi acionado pela terceira vez e permaneceu ligado até o momento do acidente.
Queda ocorreu após perda total de controle
Às 13h21min09s, a tripulação perdeu o controle do ATR 72. A aeronave entrou em uma atitude anormal de voo e iniciou uma queda até atingir o solo em Vinhedo.
A formação de gelo pode comprometer o desempenho aerodinâmico de uma aeronave ao alterar o formato das asas e prejudicar a sustentação. O acúmulo também pode aumentar o peso e afetar componentes essenciais para o funcionamento do avião.
O relatório final do Cenipa deverá detalhar os fatores que contribuíram para o desastre e esclarecer como a combinação entre as condições meteorológicas, o funcionamento do sistema antigelo, as características operacionais da aeronave e as decisões tomadas pela tripulação influenciou a sequência de acontecimentos que terminou na queda do voo 2283.





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