Airbnb: Relatório da regulamentação dos aluguéis de curta temporada é aprovado na Câmara, mas debate fica para 2026

Colegiado concluiu trabalhos nesta segunda (15) com sinal verde para regulamentar os contratos de locação, mas houve divergências no colegiado presidido por Salvino Oliveira (PSD). Voto contra veio de Pedro Duarte (sem partido), que criticou risco de burocratização efetiva e aumento de custos no setor

A Comissão Especial da Câmara do Rio criada para discutir a regulação das plataformas de curta temporada, como Airbnb e Booking, enfim aprovou, nesta segunda-feira (15), o relatório final dos trabalhos. A aprovação não foi em clima de consenso geral, terminando com um placar de três votos favoráveis e um contrário. 

Votaram a favor o presidente da comissão, Salvino Oliveira (PSD), o relator Deangeles Percy (PSD) e a vereadora Talita Galhardo (PSDB). Pedro Duarte (sem partido) foi o único voto contrário. O quinto integrante do colegiado, Junior da Lucinha (PSD), não compareceu à reunião. Mesmo que estivesse presente e votasse contra, o resultado ainda seria favorável à aprovação do relatório

A comissão foi criada no início do ano para debater políticas públicas relacionadas ao aluguel por curta duração no município e realizou 10 reuniões ao todo, ouvindo representantes do setor hoteleiro, plataformas digitais, entidades do mercado imobiliário, órgãos de segurança pública e secretarias municipais. 

O tema chegou a gerar polêmica entre os nobres no plenário, que divergem sobre a necessidade de regulamentação das plataformas. Enquanto a turma favorável defende que a medida seria positiva no quesito segurança, garantindo maior controle de quem entra e sai dos condomínios, a oposição aponta para o excesso de burocratização do serviço.

Defesa da regulamentação

No relatório aprovado, encabeçado por Salvino Oliveira com base em seu projeto de lei em tramitação na Casa — que aliás ficará para o ano que vem, já que a sessão desta terça-feira (16) será a última do ano — a comissão sustenta que a ausência de regras específicas para a locação por curta temporada gera insegurança jurídica, conflitos em condomínios residenciais e desequilíbrios tributários. O documento reconhece a importância das plataformas digitais para o turismo, mas defende a necessidade de estabelecer critérios que diferenciem a locação eventual de atividades com perfil comercial semelhante ao da hotelaria.

Autor da proposta que prevê a regulamentação do serviço, Salvino afirmou que a medida busca responder a queixas recorrentes de moradores e síndicos relatadas durante os encontros, mas sem inviabilizar a atividade. Segundo ele, a proposta tenta equilibrar segurança, ordenamento urbano e a relevância econômica do setor para a cidade.

“Chegamos à conclusão de que sim, é necessária alguma regulamentação que dê resposta à insegurança causada por essas plataformas. Muitos moradores têm relatado medo por não saber quem está entrando e saindo dos condomínios. Mas também é preciso que a regulamentação seja capaz de garantir que o turista seja bem recebido e que anfitriões e plataformas continuem a operar na cidade porque essa atividade é importante para a economia carioca”, disse Salvino Oliveira.

Voto contrário de Pedro Duarte

Do outro lado, o liberal Pedro Duarte criticou o relatório e votou contra a orientação pela regulamentação. Para o edil, a proposta pode resultar em mais burocracia e impostos para anfitriões e plataformas, além de desestimular o turismo. 

Segundo dados apresentados pelo vereador em seu relatório paralelo, a atividade gerou cerca de R$ 6 bilhões no PIB carioca em 2023, servindo como complemento de renda para milhares de famílias. “Qualquer tentativa de microgerenciar a relação entre locador e locatário ou de impor cadastros estatais invasivos deve ser rechaçada. O papel do município deve limitar-se estritamente à gestão de dados para planejamento urbano, sem interferir na livre iniciativa”, escreveu Pedro Duarte no documento.

Ele também criticou a exigência de “autorização expressa” na convenção de condomínio prevista no projeto de lei, afirmando que a proposta inverte a lógica do direito de propriedade e cria um obstáculo burocrático para prédios antigos. O parlamentar ainda minimizou os efeitos da aprovação, argumentando que o relatório não muda nada na prática e que o projeto de lei ainda enfrentará forte resistência no plenário da Casa — o que ficará para os próximos capítulos.

Com a aprovação na comissão especial, o tema segue em tramitação antes de eventual votação. Como o recesso parlamentar está batendo à porta, a discussão deve ser retomada apenas no ano que vem.

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