Washington Reis é apontado como o principal cacique político na aliança com Eduardo Paes (PSD) para as eleições ao Governo do Rio. Um dos nomes fortes nos bastidores, foi o articulador da composição da chapa, que colocou sua irmã Jane Reis como vice.

Em entrevista exclusiva à Agenda do Poder, o presidente do MDB no Rio de Janeiro já abre campanha para Paes em uma possível eleição direta para o governo-tampão. O STF (Supremo Tribunal Federal) irá definir se o novo governador será escolhido por voto direto ou indireto em julgamento nesta quarta-feira (8).

Reis ainda fez críticas ao deputado estadual Douglas Ruas (PL), também pré-candidato ao Governo do Rio e citado como principal rival de Paes em uma espécie de disputa antecipada para o Palácio Guanabara. “O Ruas não tem carcaça e não tem legado. Já o Paes tem história na política”, compara.

‘Não nasci para ser empregado’

Embora saiba da sua importância política na articulação da chapa, descarta cargo em uma possível vitória de Eduardo Paes nas urnas. “Não nasci para ser empregado, nunca consegui ninguém para assinar a minha carteira. Gosto de ser patrão, gosto de mandato”, ri.

Ele também falou sobre a relação com o ex-governador Cláudio Castro (PL), que passou a ser considerado inelegível pelos próximos oito anos por abuso de poder político e econômico em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após renunciar ao cargo.

Nas eleições de 2022, Reis seria vice na chapa encabeçada por Castro, mas acabou sendo impedido de concorrer pela Justiça Eleitoral. No Governo Castro, exerceu o cargo de secretário estadual de Transportes e Mobilidade Urbana de janeiro de 2023 a julho de 2025, quando foi exonerado após um embate político com Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Castro apostou em aliança com Bacellar, que teve o mandato cassado após prisão / Crédito: Divulgação

Reis fez ataques a Bacellar, que teve seu mandato cassado após ser preso em uma investigação por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV), em dezembro de 2025.

“Cláudio Castro cometeu um equívoco quando entregou o governo nas mãos de Bacellar. Eu fui o único que resistiu e paguei um preço caro. Mas agora as coisas estão nos seus devidos lugares”.

A renúncia de Castro deixou um vácuo no poder. Isso porque Thiago Pampolha deixou o cargo de vice-governador para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 2025.

Com a cassação de Bacellar e a cadeira vaga na presidência da Alerj, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), assumiu o cargo de governador em exercício, cargo que ocupa até que ocorra uma definição para o governo-tampão até o fim deste ano.

Washington Reis dá entrevista exclusiva para a Agenda do Poder | Reprodução

AGENDA DO PODER ENTREVISTA

ALIANÇA COM PAES E GOVERNO-TAMPÃO

Agenda do Poder – Como você vê o cenário atual em meio a tantas incertezas políticas?

Ainda bem que estamos na iminência da eleição direta. Isso faz bem para a democracia e oxigena o poder. Gosto de ir para a rua e pedir voto. E estou confiante nas eleições diretas para o mandato-tampão. Não podemos depender da Alerj, que faz um jogo de cartas marcadas. Seria injusto com a população, que não poderia exercer o seu direito de escolha.

Agenda do Poder – Como é sua relação com Eduardo Paes? Por que você firmou essa aliança?

O Eduardo Paes é um dos grandes quadros políticos do Brasil. Ele me convidou para firmar uma aliança e eu topei. Confio muito nele, e temos uma ótima relação. Ele é muito trabalhador, focado e experiente. Decidi fazer parte dessa aliança para agregar, trazer votos e alegria para a campanha, com confiança de que vamos ganhar.

Washington Reis em conversa com Eduardo Paes / Crédito: Divulgação

Agenda do Poder – Qual a importância de Jane Reis na chapa?

A Jane é evangélica, mulher de pastor e me acompanha na política desde criancinha. É advogada, conhece a legislação na palma da mãe. É professora, ótima mãe, ótima filha. É uma mulher. A política está cheia de escândalos e de homens. Ela vem para abrilhantar e para fazer as coisas de uma forma perfeccionista.

Agenda do Poder – Como estão as conversas de olho no governo-tampão?

Estamos organizando alianças partidárias e fazendo o dever de casa. Virou até uma campanha fora de época devido ao mandato-tampão. Os carros de som já estão com motores ligados e vamos para a rua. A Baixada chegou junto. E vamos fazer o maior governo da história do Rio.

Agenda do Poder – Como você o vê em comparação com o Douglas Ruas?

Não tem comparação. É isso que você quer ouvir, né? O Ruas é deputado estadual em primeiro mandato. Não tem experiência do que é governar o Estado do Rio. Não tem legado, não tem história para isso.

Douglas Ruas foi o escolhido pelo PL para suceder o Governo Cláudio Castro / Crédito: Divulgação

O Ruas não tem carcaça para querer almejar o que pretende. Não tem legado, não tem história na política.

E falo isso de forma respeitosa, sem qualquer crítica ao lado pessoal. Ele não tem estofo para concorrer com o Paes, que tem quatro mandatos como prefeito do Rio. Foi por isso que optei por fazer a aliança com ele.

Cláudio Castro está inelegível pelos próximos oito anos / Crédito: Divulgação

AVALIAÇÃO DO GOVERNO CASTRO E CRÍTICAS A BACELLAR

Agenda do Poder – Você já integrou o Governo Castro. Qual a sua avaliação, como alguém que fez parte da gestão?

O Governo teve uma grande oportunidade que muitos governadores não tiveram. Viveu uma fase boa, com recursos provenientes da venda da Cedae. Foi governo municipalista, que trabalhou bem integrado com as prefeituras. Foi um grande avanço e muita coisa foi feita. Mas estamos vivendo novos tempos.

O Cláudio Castro precisa descansar um pouco agora. É um homem público e jovem, que tem muito o que refletir. Nem sempre é possível montar um time político eficiente.

Tem muita gente do mal que atrapalha. E a sociedade paga o preço. Isso acontece com prefeitos, vereadores, governadores. O Rio de Janeiro não é para amadores.

Agenda do Poder – Você avalia o Governo Castro como amador?

Não foi isso que falei [risos]. Muito foi feito, mas o Rio pode mais.

Rodrigo Bacellar teve embate com Washington Reis quando era presidente da Alerj | Reprodução

Agenda do Poder – De uma maneira mais clara, qual seria a principal crítica? Que aliados prejudicaram Castro?

Vou ser mais explícito. O presidente da Alerj atrapalhou. Em algum momento, ele engessou a máquina pública. O Castro cometeu um equívoco quando entregou o governo nas mãos de Bacellar. Fui o único a resistir e paguei um preço caro. Mas agora as coisas estão nos seus devidos lugares.

Agenda do Poder – Então o Governo Castro deixou a desejar?

Posso dizer que poderia ter entregue mais se ele não tivesse sido tão sabotado pelo presidente Alerj. O Bacellar era o todo poderoso. Mandava e desmandava, fazia e acontecia. Era um cara despreparado e sem relevância política para ocupar a cadeira que ocupava.

Agenda do Poder – Quando você fala que “as coisas estão nos seus devidos lugares”, se refere à investigação da PF e à prisão de Bacellar?

Não quero entrar no mérito, porque não desejo doença, morte ou prisão para ninguém. Mas é a vida como ela é. O mundo real é isso aí.

Agenda do Poder – Qual a sua avaliação sobre investigações que o relacionam com o Comando Vermelho?

Não acredito nisso. Acredito que houve um envolvimento dele com o TH Joias. A Bíblia diz: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. As más conversações corrompem os bons costumes.

O modo de fazer política desse rapaz [Bacellar] nunca foi republicano. Mas não quero chutar cachorro morto, não quero falar mais sobre ele.

Castro é alvo de ataques de Eduardo Paes. Douglas Ruas é candidato da situação / Crédito: Montagem

Agenda do Poder – Qual será o seu papel caso Paes seja eleito? Não passa pela sua cabeça voltar a ocupar uma Secretaria de Governo?

É pouco provável alguém me encontrar no serviço público.

Não nasci para ser empregado, nunca consegui ninguém para assinar a minha carteira. Gosto de ser patrão, gosto de mandato.

Ganhei minha primeira eleição aos 24 anos, já estou com 59. Estou velho. Mas também estou animado para contribuir. Sou empreendedor, gosto de gerar emprego e de trabalhar pelo social. A arte da boa política é fazer muito com poucos recursos. Os incompetentes fazem pouco com muito.

Agenda do Poder – O Governo Castro fez pouco com muito?

Vou poupar o querido Cláudio Castro. Eu tenho um defeito gravíssimo, tenho tanto para falar de mim que não sobra espaço para falar dos outros. Como prefeito de Duque de Caxias, fiz mais de 50 creches, desenvolvi projetos sociais e salvei vidas. Vou falar dos outros? Pega mal ficar comparando.

Agenda do Poder – Como é a sua relação com o Cláudio Castro?

Respeitosa e ótima. Falo com ele a hora que quero. Ligo e ele me atende muito bem. Desejei feliz aniversário, ele fez aniversário ontem [Cláudio Castro fez 47 anos no dia 29 de março, dia anterior à entrevista de Agenda do Poder com Washington Reis].

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