Recuperação da Lagoa avança com processo de naturalização e amplia áreas de intervenção no Rio

Projeto entra em nova fase com foco em drenagem natural, biodiversidade e expansão para novos trechos da orla

A estratégia de recuperação ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas entra em uma nova etapa a partir deste ano, com a ampliação das áreas contempladas por intervenções baseadas na natureza, informa reportagem do jornal O Globo. Iniciado em 2023, o processo de naturalização ganha agora reforço com ações previstas para pontos ainda não alcançados, segundo o plano de trabalho da Secretaria Municipal de Conservação e da Subprefeitura da Zona Sul.

A próxima fase começa pelo Parque dos Patins, onde estão previstas intervenções voltadas à retenção de água da chuva e ao aumento da biodiversidade local. Entre as medidas, está a criação de uma área alagadiça temporária e a implantação de um platô com vegetação típica de restinga. No segundo semestre, o projeto será estendido ao Corte do Cantagalo, onde intervenções anteriores serão ampliadas.

Soluções naturais para reduzir alagamentos

No Parque dos Patins, parte do terreno será rebaixada para formar uma área alagadiça que funcionará como reservatório natural após chuvas intensas. A proposta é que esse espaço ajude a conter alagamentos, ao mesmo tempo em que cria um ambiente favorável para espécies de brejo.

Ao lado, será construído um platô com vegetação de restinga, incluindo espécies como feijão-da-praia, clusia, aroeira, pitangueira e araçá. A intenção é fortalecer o corredor ecológico da região, já impulsionado pelo plantio de manguezais, além de atrair aves e insetos que contribuem para o equilíbrio ambiental.

Expansão e requalificação no Cantagalo

Na região do Corte do Cantagalo, a intervenção será mais abrangente. O traçado da ciclovia passará por ajustes para eliminar curvas acentuadas e aumentar a segurança dos usuários. Paralelamente, será criado um novo espelho d’água entre a ciclovia e a lagoa, inspirado no modelo adotado no Parque dos Patins.

O entorno desse novo lago receberá vegetação de mangue, brejo e restinga, o que deve melhorar a drenagem e ampliar a retenção de água. A medida também cria novos habitats para peixes, aves e invertebrados, reforçando a diversidade ecológica da Lagoa.

Coordenação técnica e continuidade do projeto

O projeto é coordenado pelo biólogo Mario Moscatelli e pela paisagista Carolina Moscatelli, com apoio da concessionária Águas do Rio. A iniciativa também conta com o acompanhamento do vereador Flávio Valle, que estava à frente da Subprefeitura da Zona Sul no início do projeto.

“Após 37 anos de trabalhos ininterruptos para recuperar e proteger os ecossistemas costeiros da cidade do Rio de Janeiro, em que fui de ‘doido’ a ‘visionário’, me sinto recompensado por colaborar na implementação do protocolo de naturalização. Temos muito trabalho pela frente, mas já demos os primeiros e mais importantes passos neste processo”, afirma Moscatelli.

Segundo a prefeitura, as intervenções seguem a mesma lógica adotada desde 2023, quando as primeiras ações demonstraram resultados positivos na redução de alagamentos e na recuperação de áreas degradadas. O escopo atual foi definido com base nesses resultados.

Participação da comunidade e educação ambiental

A próxima etapa também prevê maior envolvimento da população local. A administração municipal informou que, nas próximas semanas, serão divulgadas iniciativas que incluem datas de plantio e atividades de educação ambiental, com o objetivo de aproximar moradores e frequentadores do processo de recuperação da Lagoa.

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