Ratinho repete declarações transfóbicas sobre deputada Erika Hilton: ‘Esse rapaz’

Apresentador criticou a presença da parlamentar na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e alegou estar sofrendo censura

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O apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, voltou a gerar controvérsia ao fazer declarações transfóbicas direcionadas à deputada federal Erika Hilton (Psol-SP). Durante participação no podcast Papagaio Falante, o comunicador se referiu à parlamentar usando o pronome masculino “esse rapaz” e citou o nome civil anterior à sua transição de gênero. Além dos comentários sobre a identidade da congressista, Ratinho acusou o grupo político de Erika de promover censura contra ele.

Ao comentar sobre o atrito entre os dois, o apresentador tentou se defender alegando que apenas expressou sua opinião. “Esse rapaz, (…) ele começou a me tratar mal. E outra, eu nunca respondi nada. Eu nunca falei mal dele, nada. E nem no dia eu falei mal dele. Eu só dei minha opinião como cidadão. Nada. Não falar mal dele porque não me fez mal”, declarou Ratinho durante a entrevista.

Queixas sobre liberdade de expressão

Na mesma transmissão, Ratinho reafirmou sua oposição à escolha de Erika Hilton para a liderança da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. O comunicador defendeu uma visão restritiva sobre a identidade feminina para a ocupação do cargo. “Eu acho que a comissão da mulher tem que ser tem que ser dirigida por uma mulher que seja mulher mesmo. Mulher que tem útero, mulher que tem que tem as dores da mulher”, afirmou.

O apresentador reforçou sua postura ao declarar que “Trans não é mulher”, argumentando que o debate público sobre o tema tem se tornado cada vez mais rígido. “Eu acho que nós estamos sendo muito censurados. Muito censurados. Muito. Eu acho que não é bom pro Brasil isso”, concluiu o comunicador.

Origem do embate e desdobramentos na Justiça

O conflito entre o apresentador e a parlamentar teve início no mês de março, quando Ratinho afirmou publicamente que a comissão deveria ser presidida por “uma mulher de verdade” e alegou que Erika “não é mulher, é trans”. Diante das falas, a deputada acionou a Justiça acusando o comunicador do crime de transfobia e exigindo direito de resposta na grade do SBT.

A Justiça chegou a conceder o direito de resposta à parlamentar em junho. No entanto, a determinação foi suspensa no mês seguinte pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) após a emissora recorrer da decisão, informa Congresso em Foco.

Cobrança por responsabilização judicial

Diante da suspensão, a congressista voltou a cobrar posicionamento do Judiciário sobre o comportamento do comunicador. Erika Hilton destacou o impacto do alcance midiático do apresentador na perpetuação de ofensas e preconceito.

“Quando você usa a sua audiência, quando você usa um programa de televisão, em horário nobre, não para atacar as posições políticas de uma parlamentar, mas para agredi-la, para ofendê-la, para violar a sua própria identidade de gênero e incitar o ódio, o que você faz é criminoso”, declarou a deputada em entrevista.

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