Primeiro entrevistado pelos jornais O Globo, Extra, Valor e a rádio CBN na série de sabatinas com os candidatos a prefeito do rio, Alexandre Ramagem (PL) afirmou que acredita que vá chegar ao segundo turno. Além da confiança, Ramagem conta também com a vinda do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Rio, às vésperas do primeiro turno, para catapultar sua candidatura. O delegado federal também saiu em defesa do governador Claudio Castro, principal alvo do prefeito Eduardo Paes, candidato a reeleição a ser batido.
Afirmando que não está concorrendo apenas para marcar posição, Alexandre Ramagem saiu em defesa de Cláudio Castro ao abordar a questão da segurança pública, mas admitiu que o estado ainda precisa melhorar muito. Ramagem criticou a atuação de Eduardo Paes nessa área, afirmando que o prefeito nunca combateu efetivamente os problemas da ordem pública. Reforçando a estratégia de colar sua imagem a de Bolsonaro, Ramagem disse apostar na presença do ex-presidente na capital fluminense para alavancar sua candidatura:
“Foi o presidente Bolsonaro que me convidou para concorrer a prefeito do Rio. É um trabalho não apenas para marcar posição. Estamos vendo a possibilidade de chegar no segundo turno. Bolsonaro está muito atento aqui ao Rio. Ele está andando por muitas partes do Brasil, já veio em algumas oportunidades aqui, no lançamento da campanha. O próprio senador Flávio (Bolsonaro) tem vindo muito. E agora ele (Bolsonaro) já comunicou que às vésperas da eleição, do dia 1º ao dia 5 de outubro, estará aqui no Rio conosco. Dona Michelle (Bolsonaro) está vindo agora na sexta-feira para estar do nosso lado. Vai conversar com o público majoritariamente feminino em apoio à nossa campanha”, afirmou o candidato do PL.
Apesar disso, Ramagem vem enfrentando dificuldades para conquistar o voto dos bolsonaristas no Rio, mesmo com o fato de Bolsonaro ter tido 52% dos votos na capital do estado em 2022. Ao responder, Ramagem citou a busca pelo voto dos evangélicos, já que segundo a última pesquisa do Datafolha, 55% deste eleitorado declarou voto em Eduardo Paes.
“Ele (Paes) ainda angaria o voto evangélico, mesmo estando ao lado de partidos que são contra a fé cristã. Mostrando quem defende os valores familiares, (esse eleitor) virá para o nosso lado”, assegurou.
Tendo a segurança como sua principal bandeira de campanha, o delegado federal admitiu haver problemas nessa área, assim como o próprio governador já o fez. No entanto, criticou os ataques de Eduardo Paes a Castro.
“Ele (Paes) já está pensando na eleição de 2026. O prefeito entra nesse embate, mas nunca olhou concretamente para a questão da segurança e da ordem pública. Grandes cidades do mundo reverteram a questão da segurança pela prefeitura, cito como exemplos Nova York e Medellín. Quando o governador Cláudio Castro comentou sobre o problema de segurança, estava em um momento de troca do chefe da Polícia Civil. Houve uma queda nos homicídios no Rio de Janeiro, queda no roubo de cargas e há mais investimento. Mas ainda há muito a se fazer. A gente sabe que está havendo aumento em furtos de celulares”, observou Ramagem.
Paes voltou a ser criticado pelo candidato do PL em outro momento da entrevista, onde afirmou que o prefeito busca a reeleição de olho em 2026 e que usa a estrutura da prefeitura como cabide de empregos.
“Eduardo está querendo um quarto mandato para ser trampolim para (virar) governador. Ele se endivida, tem os recursos e não coloca para a população. Endividou o Rio até 2047. Gasta ainda com juros de empréstimo”, criticou.
Saúde e transporte
Na área da saúde, ao falar sobre vacinação, Ramagem defendeu um reforço na comunicação para auxiliar no combate a surtos de determinadas doenças, como a coqueluche, por exemplo. Para o candidato do PL, o aumento de casos se deve pela desorganização da prefeitura e não por um negacionismo em relação às vacinas. Segundo ele, houve uma politização do vírus durante a pandemia.
“Já me foi muito perguntado sobre vacina de Covid para crianças. Há muitos países vacinando, mas de 5 a 14 anos. O Brasil é o primeiro país que quer tornar obrigatória a vacinação de seis meses a 3 anos. Eu sou contra, porque a vacina contra a Covid tem que ser facultativa. Todos que quiserem utilizar, que a utilizem. Está demonstrado que ela não imuniza e não acaba com o contágio. Há discussões científicas sobre os efeitos colaterais”, afirmou Ramagem.
Uma das propostas de Ramagem é converter os atuais corredores do BRT em uma modalidade de transporte sobre trilhos. Ele criticou o modelo de implantação do VLT e afirmou que é mentira quando dizem que ele vai acabar com o BRT.
“Temos que transformar aos poucos, gradual, (o BRT) em veículo sobre trilhos. O VLT quando é colocado na Europa não é só botar o trilho e passar, entra em um plano de modernização da cidade inteira, No Rio, o VLT como foi colocado atrapalhou todo o comércio no Centro da cidade. Há uma fake news de que eu quero acabar com o BRT, isso é mentira. Gastou-se muito com o BRT, isso não há como recuar. Temos que fazer a expansão, que seja por BRT ou veículos sobre trilhos. Por exemplo, o BRT na Zona Oeste ficou um pouco perdido. Ele liga, pelo (corredor) Transbrasil, o Centro até Deodoro. Só a Transoeste, por outro lado, via Barra da Tijuca, que liga Campo Grande e Santa Cruz. Temos que fazer ligação Deodoro, Campo Grande, Santa Cruz”, garantiu.
8 de janeiro
Alexandre Ramagem, que foi presidente da Abin, negou a existência da possibilidade de golpe nas manifestações de 8 de janeiro. Segundo ele, naquele mês ele tinha tirado merecidas férias.
“Voltei para desmontar meu gabinete e em janeiro tirei merecidas férias, agora querem me colocar no 8 de Janeiro? Eu nem era diretor da Abin, não tinha contato com ninguém. As condutas lá foram de extremo vandalismo, a possibilidade de golpe não existia. Crime impossível”, ressaltou Ramagem.





