Câmara endurece regras do ouro e amplia fiscalização no país

Regras mais duras aumentam controle sobre produção e venda e exigem comprovação de origem no Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que endurece as regras para a comercialização de ouro no país, estabelecendo novas exigências para comprovação de origem, transporte e registro das operações. A proposta agora segue para análise do Senado.

O texto busca combater o garimpo ilegal e ampliar o controle sobre toda a cadeia produtiva do metal, com medidas que incluem a obrigatoriedade de rastreamento e a eliminação de brechas legais.

Fim da presunção de boa-fé

Um dos principais pontos do projeto é o fim da chamada presunção de “boa-fé”, que permitia que compradores aceitassem apenas a declaração do vendedor sobre a origem do ouro.

Com a nova regra, passa a ser obrigatória a comprovação documental da origem legal do metal em todas as etapas da comercialização.

“A proposta elimina fragilidades que facilitavam a entrada de ouro ilegal no mercado”, apontam integrantes do Congresso.

Rastreabilidade obrigatória

O projeto também cria um sistema nacional de rastreabilidade, que exigirá o registro de todas as transações e dos agentes envolvidos na cadeia produtiva.

Além disso, será obrigatória a emissão de nota fiscal eletrônica e a utilização de uma guia específica para o transporte do ouro, válida até a conclusão da venda.

As instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil terão papel central nesse controle, sendo responsáveis por verificar a legalidade do produto e comunicar eventuais irregularidades às autoridades.

Regras para garimpo

Pelas novas normas, o ouro extraído por garimpeiros só poderá ser vendido inicialmente a instituições autorizadas, que deverão registrar informações detalhadas sobre a operação, como origem, volume e identificação do vendedor.

O texto também proíbe que proprietários dessas instituições tenham participação direta em atividades de garimpo ou vínculos familiares com exploradores.

Ligação com decisão do STF

A proposta foi enviada ao Congresso após decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu trechos da legislação anterior e determinou a criação de um novo marco regulatório para o setor.

Posteriormente, o tribunal derrubou dispositivos que permitiam a presunção de boa-fé, reforçando a necessidade de maior controle sobre a origem do ouro.

Combate a crimes e impactos sociais

O relator do projeto, deputado Marx Beltrão, destacou que a iniciativa responde a problemas como exploração ilegal em terras indígenas, conflitos socioambientais e uso do ouro para lavagem de dinheiro.

“Nesse cenário, dados extraídos de operações da Polícia Federal evidenciaram a presença de garimpo ilegal e conflitos violentos nessas áreas”, afirmou.

A proposta pretende, assim, estabelecer regras mais rígidas para reduzir práticas ilegais e aumentar a transparência no setor.

Senado: possíveis alterações

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde ainda poderá sofrer alterações antes de eventual sanção presidencial.

Se aprovado, o novo marco legal deve representar uma mudança significativa na forma como o ouro é comercializado no Brasil.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading