O deputado federal entrou no centro do noticiário político fluminense nesta terça-feira (12) após se tornar alvo da Operação Castratio, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraude em contratos de castração e esterilização de animais no Governo do Rio.
O parlamentar teve o celular apreendido por agentes da PF no Aeroporto Santos Dumont, quando se preparava para embarcar para Brasília. A investigação apura contratos que somam cerca de R$ 200 milhões firmados pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) no período em que Queiroz comandava a pasta.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver uma autoridade com foro privilegiado. Segundo a PF, há suspeitas de superfaturamento, direcionamento de licitações e irregularidades em contratos ligados a programas de castração animal.
A investigação também mira a contratação da empresa Consuvet, criada poucos meses antes de vencer a licitação milionária da Seapa. Segundo apurações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio já reveladas pela TV Globo, Antônio Emílio Santos — então diretor administrativo e financeiro da secretaria — autorizou a abertura da licitação e, posteriormente, tornou-se sócio da empresa contratada.
Relatórios de inteligência financeira apontaram ainda movimentações consideradas atípicas, incluindo o recebimento de cerca de R$ 888 mil pela empresa em oito meses e um saque superior a R$ 700 mil realizado em dezembro de 2023.
Trajetória na política
Advogado formado pela PUC-Rio, Marcelo Queiroz iniciou a trajetória política ainda no movimento estudantil. Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes da universidade e participou de mobilizações anticorrupção no fim dos anos 2000, além de atuar em iniciativas ligadas ao movimento Ficha Limpa no Rio.
A entrada na política institucional ocorreu em 2012, quando foi eleito vereador na capital carioca. Nas terras da Cinelândia, ganhou espaço em pautas ligadas à administração pública e, durante a gestão do então prefeito Eduardo Paes (PSD), assumiu a Secretaria Municipal de Administração.
Em 2016, Marcelo Queiroz se afastou da disputa eleitoral após enfrentar problemas renais e passar por sessões de hemodiálise. Depois do transplante de rim, criou o Instituto Grupo de Apoio ao Transplante de Órgãos (G.A.T.O.), iniciativa voltada ao apoio de pacientes transplantados e à conscientização sobre doação de órgãos.
Em 2018, foi eleito deputado na Alerj e, posteriormente, passou a integrar o primeiro escalão do governo fluminense. No Executivo estadual, comandou as secretarias de Meio Ambiente e de Agricultura durante as gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro.
Já em 2022, foi eleito deputado federal pelo PSDB.
Atuação na causa animal
Nos últimos anos, Marcelo Queiroz passou a associar a imagem política à pauta da proteção animal. Entre as principais bandeiras defendidas pelo parlamentar estão programas gratuitos de castração de cães e gatos, além de iniciativas voltadas ao bem-estar animal.
Foi justamente um desses programas que acabou entrando na mira das investigações da PF.
Segundo as apurações, os contratos investigados envolvem serviços de castração e esterilização animal executados durante sua passagem pela Secretaria de Agricultura. A investigação também analisa possíveis irregularidades em licitações e o uso de recursos públicos destinados aos programas.
A empresa Consuvet, contratada pela secretaria durante sua gestão, também é alvo das investigações por suspeitas de direcionamento e irregularidades no processo licitatório.
De acordo com as investigações, a empresa teria sido criada poucos meses antes de vencer a licitação milionária e só obteve registro necessário junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária após a assinatura dos contratos.
Espaço político em Brasília
Apesar da investigação, Marcelo Queiroz vinha ampliando espaço político em Brasília. Em abril deste ano, assumiu a presidência da Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, um dos colegiados ligados às pautas econômicas da Casa.
Antes disso, também presidiu a Comissão de Cultura da Câmara, onde ganhou projeção pela articulação com setores culturais e representantes do setor produtivo.
Além da atuação parlamentar, Queiroz mantém relação próxima com entidades empresariais e com representantes do Sistema S, ligação frequentemente associada à influência política do ex-ministro Francisco Dornelles, de quem é aliado histórico.
Até o momento, a defesa do deputado não se pronunciou sobre a operação desta terça-feira. Agenda do Poder tenta contato com a defesa do parlamentar.






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