Filme de Bolsonaro supera orçamento de ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto’

Concorrentes ao Oscar, “Ainda Estou Aqui” foi orçado em R$ 45 milhões e “O Agente Secreto” em R$ 28 milhões. “Dark Horse” é estimado em R$ 134 milhões

Os valores negociados para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ultrapassam os orçamentos de alguns dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro. Segundo reportagem publicada pelo Estadão, os cerca de R$ 56 milhões já repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção superariam o orçamento total de “Ainda Estou Aqui”, avaliado em R$ 45 milhões, e de “O Agente Secreto”, estimado em R$ 28 milhões.

O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro em negociações ligadas ao financiamento do longa-metragem.

Valor total chegaria a R$ 134 milhões

Segundo as mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil e confirmadas pelo Estadão, teria sido acordado um repasse equivalente a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134,4 milhões na cotação da época — para custear o filme “Dark Horse”.

Até 2025, aproximadamente US$ 10 milhões, equivalentes a R$ 56 milhões, já teriam sido efetivamente pagos ao projeto.

As negociações envolveriam Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, segundo a reportagem.

PF confirma autenticidade de mensagens

O Estadão informou que fontes com acesso à investigação confirmaram a autenticidade dos diálogos divulgados pelo Intercept Brasil.

As mensagens fariam parte da extração de dados do primeiro celular apreendido com Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Em um dos áudios revelados, Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos ligados ao filme. “Fico sem graça de ficar te cobrando”, diz o senador em um dos trechos divulgados.

O parlamentar também menciona preocupação com atrasos nas parcelas e cita possíveis prejuízos à produção caso os compromissos financeiros não fossem honrados.

Filme vira centro da crise

O longa “Dark Horse” passou a ocupar o centro da crise política envolvendo o entorno bolsonarista. Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou a existência do financiamento ao ser questionado por jornalistas na saída do Supremo Tribunal Federal.

Depois da divulgação das mensagens, porém, o senador mudou o discurso e admitiu ter buscado “patrocínio privado” para a produção cinematográfica.

Em nota, Flávio afirmou que não houve uso de dinheiro público nem vantagens indevidas.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading