Queda na representação: apenas seis prefeitos negros fora eleitos em capitais nestas eleições

Estado do Rio de Janeiro destaca-se pela baixa representatividade em relação à população negra

Nas eleições municipais de 2024, o Brasil elegeu seis prefeitos autodeclarados negros entre suas 26 capitais, um recuo em relação a 2020, quando o total foi de oito. Todos os novos prefeitos eleitos são homens e registrados como pardos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No primeiro turno, foram escolhidos Tião Bocalom (PL) em Rio Branco, Arthur Henrique (MDB) em Boa Vista e João Henrique Caldas (PL) em Maceió. Já no segundo turno, Cícero Lucena (PP) venceu em João Pessoa, Sebastião Melo (foto) em Porto Alegre e David Almeida (Avante) em Manaus.

Em todo o país, 1.850 negros ocuparão prefeituras em 2025, um aumento de 57 em relação à última eleição. Desses, 127 se autodeclararam pretos e 1.723 pardos. Apesar de representarem 33,5% dos prefeitos, esses números ainda não refletem a composição racial do Brasil, onde 55,5% da população se autodeclara preta ou parda, de acordo com o Censo 2022 do IBGE.

Entre os estados, Amazonas e Acre são os únicos onde a proporção de prefeitos negros supera a porcentagem da população negra. No Amazonas, 80,6% dos prefeitos são negros, enquanto no Acre a cifra é de 77,3%.

No Estado do Rio, maior discrepância

Por outro lado, o Rio de Janeiro se destaca negativamente, apresentando uma das maiores discrepâncias: 57,8% da população é negra, mas apenas 11,5% dos prefeitos se declaram assim.

Essa discrepância evidencia a necessidade de maior representação política de grupos historicamente discriminados. Graziella Testa, professora da FGV, enfatiza a importância de uma representação que reflita a sociedade e as vivências desses grupos. Os dados também mostram que, entre todos os eleitos, os homens negros representam 29,1% e as mulheres negras apenas 4,4%.

A maioria dos prefeitos negros eleitos pertence a partidos do centro político (49,3%), seguidos pela direita (33,8%) e esquerda (16,9%). Em termos de candidaturas, este ano foi a segunda consecutiva com mais autodeclarados pretos e pardos do que brancos, com um total de 239,7 mil inscrições desses grupos, representando 52,7% do total.

Com informações da Folha de S.Paulo

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