Quatro PMs continuam internados uma semana depois da megaoperação Contenção

Agentes estão internados no Hospital Geral da corporação

Uma semana após os confrontos da megaoperação no Rio de Janeiro, quatro policiais militares continuam internados no Hospital Central da Polícia Militar, no bairro do Estácio, Zona Norte da cidade. A ação, promovida nas primeiras horas da manhã do último dia 28, nos complexos da Penha e do Alemão, mobilizou agentes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro – incluindo unidades de elite – e é considerada a mais letal da história recente do Estado.

Segundo a corporação, os agentes feridos apresentam quadro estável, embora os nomes, patentes e a gravidade individual dos casos não tenham sido detalhados. No total, a operação deixou 13 policiais feridos — nove militares e quatro civis — e 121 mortos, sendo quatro destes agentes.

Durante o avanço das tropas, cenas de intenso tiroteio foram registradas: barricadas em chamas, fuzis de uso militar, drones de vigilância usados por criminosos, resgates improvisados de agentes feridos em meio ao fogo cruzado. Um dos casos relatados envolveu o sargento Cleiton Serafim Gonçalves, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que salvou um colega, foi atingido pouco depois e acabou não resistindo.

O governador do Estado, Cláudio Castro, fez questão de visitar os policiais hospitalizados no domingo (Dia de Finados), ressaltando “o verdadeiro significado de coragem e compromisso com o dever”. A visita foi divulgada em rede social oficial.

Analistas e especialistas em segurança pública observam que o fato de quatro militares seguirem internados — além dos demais agentes feridos — evidencia a dimensão humana da operação e coloca em foco a proteção oferecida aos agentes em combates urbanos de alta letalidade. Também reacende questionamentos sobre a estratégia adotada nas favelas da Zona Norte: se de fato a ação foi conduzida com adequação às normas de uso da força e responsabilidade estatal, já que moradores relatam o impacto da operação nas comunidades.

A manutenção dos militares hospitalizados ocorre em paralelo ao plano de investigação da própria força policial e à repercussão pública: direitos humanos, moradores das comunidades e familiares das vítimas buscam maior clareza sobre o que ocorreu, inclusive sobre possíveis excessos. A corporação informou que os feridos têm “quadro estável”, sem maiores detalhes.

Enquanto isso, o Estado do Rio enfrenta os desafios da recomposição de efetivo nas unidades especializadas, o apoio psicológico / médico aos agentes e a necessidade de oferecer transparência sobre as operações mais arriscadas — sendo que estes quatro policiais internados se tornaram símbolo de uma operação que, ao mesmo tempo que é louvada por seu alcance, é cobrada por seus efeitos colaterais.

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