O julgamento histórico que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados de planejar um golpe de Estado avançou nesta terça-feira (2/9) no Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Paulo Gonet, iniciou sua manifestação destacando a responsabilidade de Bolsonaro na condução do plano golpista, ao lado de ministros e comandantes militares.
“Quando o presidente da República e o ministro da Defesa se reúnem com comandantes militares, sob sua direção política e hierárquica, para consultá-los sobre a execução da fase final do golpe, o golpe, ele mesmo, já está em curso de realização”, declarou Gonet no plenário.
Após o fim da manifestação de Gonet, o presidente da Primeira-Turma do STF, Cristiano Zanin, suspendeu a sessão, que será retomada às 14h desta terça.
🚨𝐄𝐌 𝐉𝐔𝐋𝐆𝐀𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎 | Quando Bolsonaro reuniu a cúpula militar, o golpe já estava em curso, afirma Gonet em julgamento no STF;
— Agenda do Poder (@agendadopoder) September 2, 2025
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A linha da acusação
Nas alegações, o procurador-geral pediu a condenação de todos os integrantes do chamado núcleo central da trama. Entre eles estão ex-ministros e generais, como Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Braga Netto e Anderson Torres, além do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos. Bolsonaro é apontado como o líder da organização criminosa, que buscava anular o resultado das eleições de 2022 e manter o então presidente no poder.
Segundo Gonet, “tem-se até esta altura provada, na cadeia de fatos, a consumação da ruptura democrática”. Ele lembrou que Bolsonaro repetidas vezes questionou a lisura das urnas eletrônicas e incentivou a resistência aos resultados eleitorais, atitudes que, para a PGR, reforçam o caráter de tentativa de golpe.
O contexto do julgamento
O relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, havia aberto a sessão com a leitura de um relatório detalhado de quase uma hora e meia, no qual reiterou que a soberania nacional e a democracia não poderiam ser “vilipendiadas ou extorquidas”. Moraes também fez referência ao aprendizado histórico sobre os riscos da impunidade em episódios de ameaça à ordem constitucional.
A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Flávio Dino, será responsável por decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos. Há ainda a possibilidade de pedido de vista, o que prolongaria a análise do caso.
Próximos passos
Após a fala do procurador-geral, cada defesa terá até uma hora para apresentar sua sustentação oral. A defesa de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso, abrirá a rodada de manifestações. Em seguida, os demais advogados falarão em ordem alfabética.
Enquanto isso, a acusação reforça que “não reprimir criminalmente tentativas dessa ordem recrudesce ímpetos de autoritarismo e põe em risco o modelo de vida civilizado”, como afirmou Gonet em sua manifestação.






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