Deputados e vereadores do Psol entraram nesta segunda-feira (27) com uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para tentar impedir a construção de um prédio de 22 andares no Buraco do Lume, na Praça Mário Lago, no Centro da capital fluminense.
O grupo questiona a legalidade do licenciamento concedido pela Prefeitura do Rio e pede que o MP suspenda a autorização até a análise completa do caso.
A representação mobiliza os deputados federais Chico Alencar, Glauber Braga, Henrique Vieira, Talíria Petrone e Tarcísio Motta; os estaduais Dani Monteiro, Flavio Serafini, Professor Josemar e Renata Souza; e os vereadores Mônica Benício, William Siri (Rio) e Túlio Rabelo (Niterói).
Os parlamentares denunciaram o que consideram um caso de especulação imobiliária e de apropriação privada de uma área pública. Segundo o Psol, o projeto não apresenta justificativa urbanística consistente e desrespeita a vocação cultural e social do espaço.
Críticas ao licenciamento e defesa do patrimônio
O deputado federal Chico Alencar afirmou que a construção representa uma afronta ao patrimônio urbano e ambiental da cidade.
“Entramos hoje com representação no Ministério Público questionando a legalidade do licenciamento, que autoriza uma edificação de vários andares, inclusive derrubando 55 árvores, no Buraco do Lume. Uma construção ali é uma aberração urbanística, uma agressão ambiental, um atentado contra a cultura, contra os feirantes e os frequentadores do local”, declarou.
Alencar também destacou o simbolismo do espaço, palco histórico de debates políticos e homenagens à vereadora Marielle Franco. “A população repele essa subordinação do poder público à especulação imobiliária. Queremos que o MP e a Justiça também o façam, com urgência”, completou.
O projeto e as críticas ao Reviver Centro
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) aprovou o projeto para a construção de um condomínio residencial no Buraco do Lume, entre as ruas São José, Nilo Peçanha e Graça Aranha.
O empreendimento, apelidado de “novo Balança mas não cai”, contará com 720 unidades do tipo studio, de 25 a 35 metros quadrados, e será o maior já aprovado dentro do programa Reviver Centro, criado para incentivar a moradia na região central.
Sem vagas de garagem, o prédio oferecerá piscina, espaço gourmet, academia, bicicletário e vista para a Baía de Guanabara e o Morro de Santo Antônio. A obra ocupará 2.500 metros quadrados de um terreno arborizado de 6 mil metros, o que pode resultar na remoção de até 40 árvores.






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