PSD aciona MP contra Cláudio Castro e ex-chefe da Polícia Civil por operação contra vereador Salvino

Partido de Eduardo Paes pede investigação sobre suposto uso da estrutura do estado em ação que teve como alvo o vereador Salvino Oliveira

O embate político entre grupos ligados ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e ao ex-governador Cláudio Castro (PL) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (9). O diretório estadual do PSD protocolou uma representação no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pedindo a abertura de investigação contra o ex-governador Cláudio Castro, o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi e o delegado Pedro Cassundé.

A ação tem como foco a operação policial realizada em março deste ano contra o vereador Salvino Oliveira, filiado ao PSD. O parlamentar chegou a ser preso durante a investigação, mas o procedimento acabou sendo posteriormente trancado pela Justiça, que apontou uma série de supostas irregularidades na atuação da autoridade policial responsável pelo caso.

Acusação de uso político da máquina pública

Na representação encaminhada ao Ministério Público, o PSD sustenta que houve desvio de finalidade e uso indevido da estrutura estatal para atingir politicamente o vereador e seu grupo político. A legenda pede a apuração de possíveis atos de improbidade administrativa e a abertura de um inquérito civil para investigar a atuação dos envolvidos.

Segundo o partido, a operação teria sido conduzida de forma a causar desgaste público e político ao parlamentar. O documento também menciona supostos abusos durante a coleta de depoimentos e outras medidas adotadas ao longo da investigação.

Decisão da Justiça reforçou questionamentos

O caso ganhou repercussão após a Justiça determinar o trancamento da investigação contra Salvino Oliveira. Na decisão, foram apontadas falhas e irregularidades que colocaram em xeque a validade do procedimento conduzido pelas autoridades policiais.

A partir desse entendimento judicial, o PSD passou a intensificar sua ofensiva jurídica e política contra integrantes da antiga cúpula da segurança pública

A história envolvendo o vereador Salvino Oliveira se transformou em um dos maiores embates políticos do Rio de Janeiro em 2026.

De um lado, a Polícia Civil e aliados do então governador Cláudio Castro sustentavam que havia indícios de ligação do parlamentar com integrantes do crime organizado. Do outro, Salvino, o PSD e aliados do prefeito Eduardo Paes passaram a afirmar que a operação foi uma perseguição política destinada a atingir um adversário eleitoral.

Como tudo começou

Em março de 2026, Salvino Oliveira foi alvo de uma operação da Polícia Civil que investigava supostas relações entre agentes públicos e integrantes do Comando Vermelho. O vereador chegou a ser preso temporariamente. Na ocasião, o governo estadual divulgou informações da investigação e Cláudio Castro compartilhou conteúdos nas redes sociais associando o parlamentar à facção criminosa.

Segundo a investigação policial, havia suspeitas de que Salvino teria recebido apoio de traficantes para atuar politicamente em determinadas áreas da cidade. Parte dessas suspeitas era baseada em mensagens interceptadas durante a investigação.

A reviravolta na Justiça

O caso mudou de rumo quando a Justiça do Rio determinou o trancamento do inquérito em relação ao vereador. A decisão apontou ausência de elementos concretos para sustentar a continuidade da investigação e mencionou uma série de irregularidades na condução do procedimento policial.

A partir daí, o PSD passou a sustentar que a operação teria sido usada para fins político-eleitorais e que a estrutura da Polícia Civil teria sido utilizada para desgastar a imagem de um aliado de Eduardo Paes.

As acusações de perseguição

Nas representações apresentadas ao Superior Tribunal de Justiça e ao Ministério Público do Rio, o PSD listou uma série de fatos que considera evidências de perseguição política. Entre eles:

  • Divulgação de informações sigilosas da investigação nas redes oficiais da Polícia Civil;
  • Exposição pública da imagem de Salvino antes do encerramento das apurações;
  • Interrogatórios de familiares, incluindo os avós do vereador, sobre temas considerados sem relação com a investigação;
  • Condução de testemunhas para depoimentos que teriam sido registrados como comparecimentos voluntários;
  • Divulgação posterior de supostas movimentações financeiras que não constariam dos pedidos judiciais originais.

O PSD afirma ainda que o objetivo seria enfraquecer politicamente um integrante do grupo de Eduardo Paes em meio à disputa pelo governo do estado.

O papel de Felipe Curi e Pedro Cassundé

As ações judiciais e representações do PSD miram principalmente o ex-secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, e o delegado Pedro Cassundé, responsável pela investigação.

O partido pede que ambos, além de Cláudio Castro, sejam investigados por suposto abuso de autoridade, desvio de finalidade e improbidade administrativa.

O que dizem os acusados

Cláudio Castro nega qualquer perseguição política. Em nota divulgada após as representações, ele afirmou que as forças de segurança atuaram com autonomia técnica e operacional e que operações policiais não eram determinadas por interesses políticos.

Felipe Curi não havia se manifestado sobre a representação citada pela Veja até a publicação da reportagem. fluminense.

Clima de disputa eleitoral

A representação ocorre em meio ao acirramento da disputa política no Rio de Janeiro, onde aliados de Eduardo Paes e de Cláudio Castro travam uma série de embates nos bastidores e nas instituições.

O caso Salvino Oliveira tornou-se um dos principais pontos de atrito entre os dois grupos políticos e deve continuar produzindo desdobramentos judiciais e políticos nos próximos meses.

Até o momento, Cláudio Castro nega as acusações apresentadas pelo PSD.

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