Com a morte do papa Francisco nesta segunda-feira (21), a Igreja Católica entra oficialmente no período conhecido como “sé vacante”, à espera da escolha do novo pontífice. Em entrevista ao jornal O Globo, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e um dos eleitores no próximo conclave, afirmou que não seria surpresa se o sucessor de Francisco vier da África ou da Ásia — regiões onde o catolicismo cresce de maneira significativa nas últimas décadas.
“Não há nenhum impedimento para que o papa venha desses continentes. A Igreja é universal”, disse Scherer. Para ele, a eleição de um pontífice africano ou asiático seria apenas uma consequência da diversidade atual do Colégio Cardinalício. “O número de cardeais não europeus cresceu muito. Isso amplia as possibilidades.”
A declaração reforça a expectativa de uma nova etapa de universalização da Igreja, após a histórica escolha do argentino Jorge Mario Bergoglio em 2013, primeiro papa latino-americano. “Francisco quebrou paradigmas ao representar o Sul Global. Agora, pode haver uma nova quebra com um papa africano ou asiático”, afirmou o cardeal, destacando que o mais importante na escolha é o perfil espiritual e pastoral do eleito, e não sua origem geográfica.
Dom Odilo também comentou a transformação do Colégio de Cardeais durante o pontificado de Francisco. O papa argentino nomeou a maioria dos cardeais eleitores — 108 dos 136 com menos de 80 anos, que têm direito a voto. “Ele fez isso pensando no futuro da Igreja e numa colegialidade mais representativa”, afirmou.
Sobre os desafios do próximo pontífice, Scherer apontou a necessidade de manter o diálogo com um mundo cada vez mais plural e secularizado, sem perder a fidelidade à missão da Igreja. “É preciso um papa que saiba escutar, discernir e dialogar, sem se deixar levar por modismos, mas com firmeza na fé”, declarou.
A data do conclave ainda será definida, mas segundo o regulamento do Vaticano, ele deve ocorrer entre 15 e 20 dias após a morte do papa. Até lá, a Igreja será conduzida pelo camerlengo, responsável por administrar a transição e convocar os cardeais ao Vaticano.
Dom Odilo Scherer participou do conclave de 2013 e é considerado uma voz influente entre os cardeais latino-americanos. Seu nome, inclusive, já foi citado em listas de papáveis, embora ele sempre negue qualquer ambição pessoal. “Não se trata de candidatura. Somos chamados a servir”, concluiu.





