Entre 136 cardeais que escolherão o próximo papa, 108 foram nomeados por Francisco

Pontífice argentino moldou o Colégio Cardinalício com representantes de países periféricos; sete eleitores são brasileiros

A morte do papa Francisco nesta segunda-feira (21) marca o início de uma nova etapa para a Igreja Católica, que se prepara para o conclave que escolherá o próximo pontífice. Segundo informações do Estado de S.Paulo, o Colégio Cardinalício hoje é fortemente composto por nomes escolhidos pelo papa argentino, o que deverá influenciar de forma decisiva os rumos da sucessão.

Francisco nomeou 108 dos 136 cardeais com direito a voto no próximo conclave — ou seja, quase 80% dos eleitores. Apenas 23 foram criados por Bento XVI, e apenas 5, por João Paulo II. Isso significa que, ao longo de seu pontificado, iniciado em 2013, o papa não apenas reorganizou o perfil geográfico e político da Igreja, mas também deixou um legado duradouro sobre a escolha do próximo líder católico.

O conclave, que ocorrerá nos próximos dias, reunirá apenas os cardeais com menos de 80 anos. Atualmente, o Colégio Cardinalício é formado por 252 membros, sendo 136 eleitores e 116 não eleitores. Entre os votantes, há sete brasileiros.

Em 2013, os europeus eram 56% dos cardeais eleitores. Hoje, são 39%

A composição do colégio reflete a estratégia de Francisco em descentralizar o poder e representar as “periferias” da Igreja. Em 2013, os europeus representavam 56% dos cardeais eleitores. Hoje, esse número caiu para 39%, enquanto Ásia, África, América Latina e Oceania ganharam espaço. A atual distribuição de eleitores é a seguinte: Europa (53), América (37 — incluindo 17 da América do Sul), Ásia (24), África (18) e Oceania (4).

Esse movimento de abertura ao mundo, iniciado por Francisco, foi consolidado no último consistório, em dezembro de 2023, quando foram nomeados 21 novos cardeais, entre eles 11 europeus, 6 americanos (sendo 5 sul-americanos), 3 asiáticos e um africano.

Além da redistribuição geográfica, Francisco também ampliou o número de cardeais com direito a voto, rompendo com o limite de 120 eleitores estabelecido por Paulo VI em 1970. Embora a regra de idade — que exclui do conclave os cardeais com 80 anos ou mais — ainda esteja em vigor, a expansão do colégio demonstra a intenção de tornar o processo mais representativo e plural. Em 2024, 15 cardeais ultrapassaram essa idade e se tornaram inelegíveis.

Os cardeais brasileiros com direito a voto

Dos nove cardeais brasileiros, sete participarão do conclave. São eles:

João Braz de Aviz (criado por Bento XVI), prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada

Odilo Pedro Scherer (criado por Bento XVI), arcebispo de São Paulo

Orani João Tempesta (criado por Francisco), arcebispo do Rio de Janeiro

Leonardo Ulrich Steiner (criado por Francisco), arcebispo de Manaus

Sergio da Rocha (criado por Francisco), arcebispo de Salvador

Paulo Cezar Costa (criado por Francisco), arcebispo de Brasília

Jaime Spengler (criado por Francisco), arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB e do Celam

O único cardeal brasileiro que não poderá votar é Raymundo Damasceno Assis, arcebispo emérito de Aparecida, nomeado por Bento XVI e já com mais de 80 anos.

Com esse grupo substancial de cardeais eleitores moldado sob sua liderança, Francisco deixa como herança um colégio que espelha sua visão de uma Igreja mais aberta, descentralizada e sintonizada com os desafios sociais do século XXI. A sucessão papal, portanto, não será apenas uma escolha espiritual, mas também política — e profundamente marcada pelo legado do papa argentino.

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