O cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, anunciou sua renúncia ao comando da arquidiocese, cumprindo o código canônico que exige a abdicação do posto ao completar 75 anos. O pedido de renúncia foi feito em 21 de setembro, data do aniversário do religioso, e aceito pelo papa Francisco. No entanto, o pontífice solicitou que Scherer permaneça no cargo por mais dois anos, até 2026.
Dom Odilo compartilhou a decisão nesta terça-feira (8) em uma carta, destacando que o “caminho normal” ao final desse período seria se tornar arcebispo emérito, como seus antecessores Paulo Evaristo Arns e Cláudio Hummes. O Vaticano ainda não anunciou quem será o seu sucessor. “Sigamos em frente, preparando-nos mediante a oração para viver intensamente o Ano Jubilar de 2025, como ‘peregrinos da esperança’”, escreveu o arcebispo.
A renúncia de Scherer gerou reações distintas dentro da Igreja. Alguns membros do clero viram a rápida aceitação do pedido como um sinal de perda de influência política do arcebispo, enquanto outros acreditam que a extensão de seu mandato por dois anos reflete sua relevância contínua na Arquidiocese.
Dom Odilo, que assumiu a liderança da arquidiocese em 2007, é considerado uma figura mais conservadora dentro da Igreja Católica, enquanto o papa Francisco representa uma ala progressista. Ao longo de sua trajetória, o arcebispo enfrentou críticas de setores católicos mais radicalizados, que o acusaram de comunismo. Scherer, no entanto, sempre defendeu o diálogo e alertou para os perigos do extremismo em ambos os lados do espectro político. “Onde há polarização extrema, perdeu-se a lucidez”, declarou ele em 2022.
Dom Odilo disse que pretende continuar em São Paulo após deixar o cargo, à disposição para o trabalho pastoral. “Tudo continua como está, a trabalhar, não muda nada”, afirmou sobre os próximos dois anos.
Com informações da Folha de S.Paulo





