Um projeto imobiliário planejado para um terreno de cerca de 14,6 mil metros quadrados em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, tem provocado reação de moradores e mobilizado um abaixo-assinado com milhares de adesões. As informações são de O Globo.
A área, localizada entre as ruas Pereira da Silva e Alfredo Modrach, abrigou por mais de 150 anos o tradicional Colégio da Providência. Desde o início de maio, um documento organizado por moradores reúne cerca de 2.500 assinaturas e aponta preocupações com possíveis impactos ambientais, urbanísticos e sobre o patrimônio histórico local
Entre os principais pontos levantados estão o risco de intervenções em uma região inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) São José. Segundo o texto do abaixo-assinado, ações como eventual supressão de vegetação poderiam afetar o microclima, a biodiversidade e até aumentar o risco de deslizamentos
Outro foco de preocupação é a preservação da Capela Coração de Jesus, considerada bem tombado e parte relevante da memória do bairro. Moradores também destacam o valor afetivo do espaço, que marcou gerações que estudaram no colégio
Representante da Associação de Moradores de Laranjeiras (Amal), Marcus Vinicius Seixas afirma que a entidade acompanha o caso e ressalta o impacto do adensamento urbano na região. “Muitas gerações passaram por ali. Eu mesmo estudei no colégio, conheci minha esposa e me casei na capela. Existe um valor afetivo importante para o bairro — diz o presidente da Amal.
Segundo ele, a área já apresenta ocupação intensa, o que reforça a necessidade de cautela na análise de novos empreendimentos
Projeto prevê demolições e preservação parcial
De acordo com um croqui do projeto que circula nas redes sociais, a proposta inclui a demolição de parte das estruturas existentes, com preservação de áreas tombadas, como a capela e o prédio que abrigava religiosas. O plano também prevê retrofit de construções e a edificação de novos blocos residenciais
O Colégio da Providência encerrou suas atividades há alguns anos. O terreno pertence à ordem das Irmãs de São Vicente de Paulo
Construtora rebate críticas
Em contraponto às preocupações dos moradores, o presidente da construtora responsável pelo projeto, Carlos Eduardo Valente, afirma que o empreendimento segue a legislação vigente e não prevê impactos ambientais. “É um bem que está abandonado e degradado há dois anos, já tivemos invasões e estamos trabalhando para transformar em uma obra de arte, valorizando o bairro”, afirma.
Segundo ele, a proposta inclui a recuperação da estrutura existente e a restauração da capela, respeitando normas de preservação. O empresário também sustenta que não haverá desmatamento e que o projeto busca valorizar a área, hoje considerada degradada
Ele acrescenta que o empreendimento ainda está em fase de aprovação junto aos órgãos competentes e que eventuais detalhes sobre a restauração serão discutidos com instituições responsáveis pela proteção do patrimônio
Licenciamento ainda está em análise
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que há um pedido de licenciamento em análise para o local. Até o momento, no entanto, não foram concedidas licenças urbanísticas ou ambientais, nem autorização para remoção de vegetação
Procurados, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional e a Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio não haviam se manifestado até a última atualização do jornal.






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