‘Prévia do PIB’ tem primeira queda no ano, com retração de 0,7% em maio

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu após quatro meses consecutivos de crescimento

A economia brasileira registrou sua primeira retração em 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), apontou queda de 0,7% em maio na comparação com o mês anterior, após quatro meses consecutivos de crescimento.

Apesar do resultado negativo em maio, o indicador ainda acumula alta de 1,3% no trimestre encerrado no mês e registra expansão de 2,3% no ano. Na comparação com maio de 2024, houve crescimento de 2,9%, enquanto o avanço acumulado em 12 meses é de 3,5%. Essas variações foram calculadas sem ajuste sazonal.

Para o cálculo mensal, o Banco Central aplicou o ajuste sazonal, metodologia que permite comparar períodos diferentes ao eliminar distorções típicas de cada época do ano.

O desempenho de maio foi especialmente afetado pelo setor agropecuário, que apresentou forte retração de 4,2%. A indústria também registrou queda, de 0,5%. Já o setor de serviços, que responde pela maior fatia do PIB brasileiro, permaneceu estagnado, com variação de 0%.

O IBC-Br é um dos principais termômetros utilizados pelo Banco Central para avaliar o ritmo da economia e subsidiar as decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O indicador agrega estimativas dos principais setores produtivos — agropecuária, indústria e serviços — e antecipa tendências do PIB oficial, divulgado trimestralmente pelo IBGE.

Com o resultado negativo de maio, cresce a percepção de que a economia pode estar perdendo fôlego após um início de ano mais vigoroso. No primeiro trimestre, o PIB teve expansão de 1,4%, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde do agronegócio. No entanto, o próprio Ministério da Fazenda já projeta uma desaceleração no segundo trimestre.

De acordo com o Boletim Macrofiscal, divulgado pela pasta, a estimativa é de um crescimento de apenas 0,6% entre abril e junho. “Na comparação trimestral, o PIB agropecuário deverá cair, enquanto o ritmo de atividade na indústria e em serviços deve aumentar”, afirma o documento.

A projeção oficial da Fazenda para o crescimento do PIB em 2025 é de 2,5%. Já o Banco Central estima avanço de 2,1%, enquanto os economistas consultados pelo Boletim Focus — publicação semanal da própria autarquia — preveem crescimento de 2,23%.

Apesar da expansão acumulada até aqui, o cenário para os próximos meses exige cautela. O ambiente de juros elevados, que impacta o consumo e o investimento, somado à inflação ainda resistente em determinados setores, são fatores que vêm preocupando a equipe econômica do governo e podem limitar o ritmo de crescimento no segundo semestre.

O desempenho econômico de junho e o fechamento do segundo trimestre deverão ser decisivos para confirmar se a economia brasileira entrou, de fato, em trajetória de desaceleração ou se o recuo de maio foi um ponto fora da curva.

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