Caio de Santis (correspondente do blog em Brasília)
É grande o embaraço de Marcelo Freixo, agora filiado ao PT, junto à esquerda fluminense que o consagrou com votações expressivas nas urnas na última década. Hoje presidente da Embratur, em Brasília, Freixo se vê diante de um dilema e tenta modular o seu discurso para o iminente apoio ao prefeito Eduardo Paes, em obediência à provável deliberação do PT. Oficialmente, o discurso adotado, dizem seus assessores, será o de “necessidade de composição contra o fascismo representado pela candidatura do bolsonarista Alexandre Ramagem”.
Mas, é inegável o desconforto de dividir palanque com Paes, acusado pelo próprio Freixo, em várias oportunidades, de associação com setores da direira. Embora Paes e Lula caminhem juntos desde 2022, a saia fica ainda mais justa para Freixo pelo fato de o possível vice ser o deputado federal Pedro Paulo, contra o qual concorreu em 2016 e também fez duras críticas – chegou a chamá-lo de “o pior candidato que poderia ser lançado”, além de ressaltar que o mesmo votou pelo impeachment de Dilma Roussef meses antes da campanha. Caso Paes concorra ao governo em 2026, é com Pedro Paulo que ficará a Prefeitura.
Nos últimos anos, Freixo e Pedro Paulo se aproximaram e chegaram a fazer aparições juntos, diante da atuação relevante do aliado de Paes em Brasília e do apoio a Lula nas últimas eleições. Uma foto no bar Cachambeer, na zona norte do Rio, “selou a paz” entre eles em 2022. Mas, a militância que o apoiou por anos tem reclamado nas redes sociais.
Principalmente pelo fato de que Tarcísio Motta, que será candidato pelo PSOL e deve ser abraçado por esta parcela do eleitorado, pode ficar sem o apoio do seu aliado histórico.
Oficialmente, Freixo manterá o discurso de que a ampliação das alianças para além da esquerda é necessária para a derrota do fascismo representado pelo candidatos apoiados por Jair Bolsonaro. Em 2022, quando concorreu pelo PSB ao governo, teve como vice em sua chapa o ex-prefeito César Maia. Na sua equipe, estava o economista Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.





