Preso dono de fábrica clandestina de linha chilena após morte de motociclista

Prisão ocorre dois dias após morte por linha cortante na Via Light

Milson Brasil da Silva, apontado como dono de uma fábrica clandestina de linha chilena, foi preso na manhã desta quarta-feira (6) por policiais civis da 17ª Delegacia de Polícia, em Anchieta, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A prisão aconteceu apenas dois dias após a morte de Jorge Luiz da Silva Marciano, de 38 anos, degolado por uma linha cortante enquanto trafegava de moto pela Via Light, na Baixada Fluminense.

A ação é resultado de uma investigação que levou os agentes até um imóvel na Avenida Nazareth. A fachada do local indicava tratar-se de uma simples serralheria, mas, após vistoria, os policiais encontraram diversos carretéis de linha chilena prontos para comercialização, além de insumos utilizados em sua fabricação.

Linha chilena: material perigoso e proibido

De uso proibido no Brasil, a linha chilena é uma versão ainda mais cortante do cerol, tradicionalmente usado em pipas. Sua composição inclui óxido de alumínio e outros abrasivos que tornam o fio extremamente perigoso — capaz de ferir gravemente ou até matar.

“A linha chilena representa um risco direto à vida. Além de motociclistas, também coloca em perigo pedestres, ciclistas e até crianças que soltam pipa”, afirmou um dos agentes envolvidos na operação.

Apesar de diversas campanhas de conscientização e legislações municipais e estaduais que vetam a comercialização e o uso desse tipo de produto, o comércio ilegal ainda resiste, especialmente em períodos de férias escolares e clima seco, quando a prática de soltar pipas se intensifica.

Repressão e responsabilização criminal

No local da prisão, os peritos constataram que a estrutura clandestina estava em plena atividade. Foram apreendidos carretéis já prontos e substâncias abrasivas utilizadas na confecção da linha. Todo o material foi encaminhado à 17ª DP, junto com o suspeito.

Milson Brasil da Silva responderá por crime contra a saúde pública, conforme previsto no artigo 273 do Código Penal, além de infrações ambientais e contra a segurança coletiva. A pena pode ultrapassar 10 anos de reclusão, dependendo da gravidade e das circunstâncias apuradas durante o inquérito.

O caso reforça o alerta das autoridades para que a população denuncie a produção e venda desse tipo de material. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque-Denúncia (2253-1177) ou pelo aplicativo da Polícia Civil.

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