O Comando de Polícia Ambiental estourou, na noite desta segunda-feira, uma fábrica clandestina de linha chilena – material quatro vezes mais perigoso que o cerol – em Bento Ribeiro, na Zona Norte da cidade.
A operação ocorreu após uma denúncia recebida pelo programa Linha Verde (2253-1177), iniciativa do Disque Denúncia focada em crimes ambientais.
No final de semana, um mototaxista morreu após ser atingido no pescoço por uma linha chilena, de pipa, na Avenida Brasil, altura de Realengo, Zona Oeste, na pista sentido Centro, na tarde deste domingo (16). Segundo testemunhas, Victor J. Silva, de 38 anos, estava trabalhando.
Nas redes sociais, amigos lamentaram o caso. “Meu amigo de trabalho. Sem acreditar ainda. Meu Deus, conforte o coração da esposa e dos filhos”, disse um comentário.
“Muito triste! Meus sentimentos a toda família do Victor. Um cara super querido e trabalhador”, afirmou outro. “Estudou comigo, lamentável isso, sem palavras… Que o senhor conforte a família!”, relatou mais um.
Com base nas informações obtidas, agentes da Unidade de Policiamento Ambiental do Parque Estadual da Pedra Branca se dirigiram à Rua Mathias de Albuquerque, onde a denúncia apontava o terraço de uma residência. Durante a fiscalização, os policiais encontraram diversos itens utilizados na produção do material, incluindo maquinário, carretéis e apetrechos. Ao interrogarem a proprietária do imóvel, a equipe da 1ª UPAm foi informada de que o material pertencia ao filho dela, que não reside mais no local.
Entre os objetos apreendidos, estavam uma máquina para enrolar linha, cinco carretilhas, quatro tubos de linha chilena, uma máquina para derreter cola e vários apetrechos usados na fabricação das linhas chilenas. Todo o material foi recolhido e encaminhado à 30ª DP, onde a ocorrência foi registrada.
Segundo dados do programa Linha Verde, nos três primeiros meses deste ano foram registradas mais de 120 denúncias relacionadas à comercialização, fabricação e uso de cerol e linha chilena. O número é superior às 80 denúncias do mesmo período em 2024 e às 37 de 2023. Em todo o ano passado, o programa contabilizou 561 informações sobre o tema, que auxiliaram a polícia na apreensão de 256 carretéis, 23 rolos de linha chilena, 16 carretilhas, mais de 150 quilos de pó de vidro, além de garrafas e garrafões com cerol líquido.
A população pode denunciar crimes ambientais no estado do Rio de Janeiro a qualquer hora pelo telefone (21) 2253-1177 ou pelo 0300 253 1177, ambos com WhatsApp anonimizado – técnica que remove ou altera dados que identifiquem o denunciante. Outras opções incluem o aplicativo “Disque Denúncia RJ”, o site http://www.disquedenuncia.org.br ou a página do Linha Verde no Facebook (www.facebook.com/linhaverdedd).





