Presidente do PL admite novamente discussão sobre golpe no fim do governo Bolsonaro

Valdemar Costa Neto afirmou que houve debate sobre uma ruptura institucional em 2022, mas disse que a tentativa não chegou a ser executada

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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, voltou a afirmar que houve discussão sobre uma tentativa de golpe no fim do governo Jair Bolsonaro, em 2022. A declaração foi dada nesta quarta-feira (7), durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.

“Discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe. E daí?”, afirmou Valdemar ao ser questionado sobre as articulações ocorridas no período que antecedeu a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração retoma uma posição que o dirigente partidário já havia apresentado em 2025. Na ocasião, Valdemar reconheceu que houve planejamento para um golpe, mas ressaltou que a iniciativa não chegou a ser concretizada.

Valdemar diz que golpe não foi executado

Durante a entrevista, Valdemar foi questionado sobre a possibilidade de o atual candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, repetir uma estratégia semelhante caso chegue ao Palácio do Planalto.

“Sei lá. Pode haver planejamento. Não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca. Jamais”, respondeu o presidente do PL.

Valdemar também defendeu Jair Bolsonaro ao comentar a condenação do ex-presidente. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão e cumpre prisão domiciliar.

Segundo Valdemar, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, uma das primeiras medidas seria conceder anistia ao pai. O dirigente também afirmou considerar que Bolsonaro não deveria estar preso pela tentativa de golpe.

Debate sobre golpe envolve tentativa e execução

A discussão sobre a responsabilização pelos atos de 2022 envolve justamente a diferença entre o planejamento de uma ruptura institucional e sua efetiva execução. A legislação brasileira prevê punição para crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito a partir da tentativa de execução.

Por isso, a alegação de que uma ação não chegou a ser concluída não elimina, por si só, a possibilidade de responsabilização criminal quando existem atos que caracterizem tentativa.

Valdemar já havia feito declaração semelhante em 2025, quando afirmou que houve “planejamento de golpe”, mas que o golpe não foi consumado.

PL também mira comando do Senado

Na mesma entrevista, Valdemar Costa Neto falou sobre a composição do Senado após as eleições de 2026. O PL elegeu 28 senadores e, segundo o dirigente, existe a possibilidade de um acordo para que Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, e Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, se revezem na presidência da Casa.

A proposta envolveria um acordo entre os dois partidos para dividir o comando do Senado, sem a necessidade de uma nova eleição para os dois parlamentares. Valdemar não citou o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O dirigente também defendeu que eventuais problemas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal sejam tratados dentro da própria Corte. Segundo ele, questões relacionadas ao comportamento de integrantes do STF também poderão ser discutidas no Senado após a posse dos novos parlamentares.

Valdemar comenta relação do PL com público LGBTQIA+

Valdemar também foi questionado sobre ataques feitos por integrantes do próprio PL ao público LGBTQIA+. Em resposta, afirmou não ter problemas com esse grupo e disse que a legenda mantém respeito por essas pessoas.

A declaração ocorreu após manifestações de parlamentares do partido, entre eles Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, que adotam posições conservadoras em temas relacionados a costumes.

Campopiano foi eleita deputada estadual em São Paulo em 2026 e obteve 1.956.238 votos. Pavanato, por sua vez, foi eleito deputado federal pelo estado.

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