O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quarta-feira o julgamento da ação conhecida como “ADPF das Favelas”, que discute regras para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
Na véspera da retomada do julgamento, a Prefeitura do Rio enviou uma petição à Suprema Corte afirmando que houve um aumento do domínio territorial de criminosos na capital fluminense durante a vigência da ADPF. No documento, a prefeitura revelou quais regiões da cidade tiveram o maior número de denúncias de barricadas — estruturas instaladas em vias da capital por traficantes para dificultar o acesso da polícia — entre 2019 e 2024. Entenda.
Segundo o levantamento feito a partir de dados do Disque Denúncia, a 16ª AISP foi a área com o maior número absoluto de denúncias sobre barricadas, totalizando 1.978 registros. A região abrange os bairros Brás de Pina, Olaria, Penha, Penha Circular, Cordovil, Jardim América, Parada de Lucas e Vigário Geral.
PM removeu mais de 5.700 barreiras em 2024.
A região da 16 AISP é onde está localizado o Complexo de Israel, área que engloba as comunidades de Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas, Pica-Pau e Cidade Alta. O local é controlado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão.
Peixão se apresenta como evangélico e usa o Antigo Testamento como fundamento para as expansões e confrontos no tráfico, afirmando ser o encarregado de libertar as comunidades do inimigo — o Comando Vermelho, a milícia e a polícia. O nome Complexo de Israel, inclusive, é referência à Terra Prometida.
Em segundo lugar está a 41ª AISP, que inclui os bairros Acari, Anchieta, Barros Filho, Colégio, Costa Barros, Guadalupe, Irajá, Parque Anchieta, Parque Colúmbia, Pavuna, Ricardo de Albuquerque, Vicente de Carvalho, Vila Kosmos, Vila da Penha e Vista Alegre, com 1.613 denúncias.
No documento, a prefeitura afirmou que “os números do Disque Denúncia evidenciam que as organizações criminosas e forças paramilitares têm se aproveitado das restrições impostas às operações de enfrentamento ao crime organizado para expandir a sua influência territorial”.
Nesta quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, medida que tramita há cerca de cinco anos e teve impacto na segurança pública do Rio
Com informações de O Globo





