Prefeitura de Porto Alegre lança programa para captar recursos e avalia prejuízos em mais de R$ 6 bi com enchentes na capital  

Mais de 11 mil pessoas estão distribuídas em 135 abrigos, e 49,7 mil famílias estão cadastradas em programas emergenciais

A prefeitura de Porto Alegre lançou na sexta-feira (31) o programa “Reconstruir Porto Alegre” com o objetivo de mapear os estragos causados pelas intensas chuvas de maio no Rio Grande do Sul e captar parcerias com empresas para custear as obras de reparo e reconstrução. Na apresentação, foram detalhados os prejuízos financeiros e de infraestrutura, além de uma estimativa dos investimentos necessários e do impacto sobre a população.

A gestão do prefeito Sebastião Melo (MDB-RS) estima que a destruição tenha causado prejuízos entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões, com contas ainda sendo feitas para áreas como saúde, educação, sistema de drenagem e áreas verdes. O município calcula um impacto financeiro de R$ 600 milhões devido à redução de receitas por isenções fiscais, como ISS e IPTU, e mais R$ 5,5 bilhões em danos físicos. Até agora, a prefeitura empenhou R$ 323 milhões, dos quais R$ 152 milhões já estão em execução.

A maior demanda de investimento é na área de habitação, com cerca de R$ 2 bilhões necessários. Em Porto Alegre, 11,2 mil pessoas estão distribuídas em 135 abrigos, e 49,7 mil famílias estão cadastradas em programas emergenciais. Estima-se que mais de 157 mil pessoas tenham sido afetadas pelas enchentes.

Os valores detalhados incluem R$ 54 milhões para vilas de passagem, R$ 60 milhões para estadia solidária, R$ 80 milhões para habitações rápidas, R$ 750 milhões para a compra de imóveis prontos e R$ 1 bilhão para compras no programa Minha Casa, Minha Vida.

Na saúde, 19% do sistema foi afetado, incluindo 17 hospitais e clínicas inundados e onze unidades ilhadas, com um custo estimado de R$ 115 milhões para recuperação. Na educação, 12 escolas precisam ser reformadas e duas reconstruídas, representando 14% da rede e exigindo cerca de R$ 36 milhões em investimentos.

Para a recuperação de áreas verdes, são necessários R$ 82 milhões, abrangendo 161 praças e 457 mil m² afetados. A área de assistência social demanda R$ 19,5 milhões para a reconstrução de dois prédios e reforma de outros sete.

O tradicional Mercado Público de Porto Alegre, que ficou totalmente inundado, necessita de R$ 6 milhões para recuperar seus 8 mil m², onde trabalham cerca de mil funcionários em 100 empresas.

A prefeitura também apresentou uma necessidade inicial de R$ 500 milhões para obras de drenagem e segurança hídrica, após críticas ao sistema durante as chuvas. As intervenções incluem redes de esgoto e águas pluviais, diques de proteção, comportas, estruturas de bombeamento e recuperação das estações de tratamento e distribuição de água.

O prefeito Sebastião Melo, durante o lançamento do programa no Instituto Ling, enfatizou a mobilização conjunta com cidadãos e empresas para reconstruir a cidade. Ele destacou a importância de esperança e colaboração para limpar a cidade, retomar a economia e ajudar uns aos outros, afirmando que “Porto Alegre será reerguida e voltará a sorrir”.

O município disponibilizou 54 equipamentos que precisam de obras, incluindo escolas, postos de saúde, centros de atendimento psicossocial, parques e praças. O site do programa fornece informações detalhadas sobre os locais afetados, as intervenções necessárias e os valores estimados em um mapa interativo.

As empresas interessadas em contribuir podem fazer contato via WhatsApp para mais informações sobre as demandas. Os valores das obras são repassados diretamente pelas empresas aos fornecedores contratados, sem passar pela prefeitura.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading