Após 45 dias das intensas chuvas que inundaram o Rio Grande do Sul, os prejuízos no estado somam R$ 12,2 bilhões, conforme balanço divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) nessa sexta-feira (14). O setor habitacional foi o mais prejudicado, acumulando perdas de R$ 4,7 bilhões. No total, 101,5 mil casas foram danificadas e outras 9,4 mil destruídas pelas tempestades.
A agricultura também sofreu grandes perdas, com prejuízos estimados em R$ 4,1 bilhões. Este é o setor privado mais afetado, seguido pela agropecuária, com perdas de R$ 372,1 milhões, e pela indústria, com R$ 277,8 milhões.
O estado precisará recuperar 3,2 milhões de hectares de cultivo afetados pelos temporais, segundo a Secretaria Estadual da Agricultura, baseada em imagens de satélite. A retomada do plantio é essencial para evitar uma redução na distribuição nacional de alimentos. O Rio Grande do Sul é o principal produtor de arroz do Brasil, responsável por 70% da safra, e ocupa a quarta posição na produção de soja.
Críticas ao plano de casas provisórias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o plano de construção de casas provisórias para as vítimas das enchentes durante um encontro com autoridades em Pernambuco. Lula argumentou que obras temporárias frequentemente se tornam permanentes, enquanto a construção de novas residências em locais seguros é um processo demorado.
“Eu disse ao companheiro Jader (Filho, ministro das Cidades) lá no Rio Grande do Sul, porque tem sempre a ideia de que é preciso cuidar de fazer casa provisória, e eu falava não tem casa provisória. É melhor dizer a verdade para o povo, é melhor dizer que destruir é muito rápido, construir é muito demorado”, afirmou Lula.
O governador Eduardo Leite anunciou a destinação de R$ 86,7 milhões para construir 250 moradias definitivas e 500 temporárias, voltadas para famílias de baixa renda. As residências serão instaladas em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e no Vale do Taquari.
Debate sobre soluções temporárias
O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, apresentou um contraponto à fala do presidente em uma postagem na rede social X (antigo Twitter). Souza destacou a necessidade de abrigar famílias enquanto soluções definitivas são implementadas.
“Quando a casa de uma família é destruída, ela precisa ficar em algum local até que consiga um lar definitivo e digno para morar. Ou seja, não é pelo governo não providenciar uma casa provisória que a família não vai precisar de um local para residir por um tempo. A situação precária da família não ‘desaparece’ devido ao não agir do governo”, escreveu Souza.
Desde o evento climático que atingiu o Vale do Taquari em setembro de 2023, as únicas moradias entregues foram as casas provisórias construídas em parceria entre o Sinduscon RS, o governo estadual e as prefeituras.
Com informações de O Globo





