Esculturas de arte urbana que provocam reflexão sobre a relação humana com a tecnologia estão sendo removidas das ruas de Niterói após novos atos de vandalismo. De acordo com reportagem publicada pelo O Globo nesta quinta-feira (17), a prefeitura decidiu antecipar a retirada de quatro das cinco obras da mostra “Primórdios digitais”, após mais um furto registrado na Praça Arariboia, no Centro da cidade.
A peça vandalizada é “Desconectados”, criação do artista visual Beto Gatti, que representa macacos obcecados por celulares como crítica à hiperconectividade da sociedade contemporânea. Dois aparelhos fundidos à escultura foram furtados — e esta não foi a primeira vez que a mesma obra sofreu intervenção criminosa. Antes de chegar a Niterói, a escultura já havia sido danificada enquanto estava exposta na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.
Segurança reforçada e obras recolhidas
Segundo a prefeitura, a Guarda Municipal intensificou o patrulhamento na região em conjunto com a Polícia Militar. O Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Niterói também foi acionado e realiza buscas para identificar o autor do crime. Apesar dos esforços, a administração municipal optou por recolher antecipadamente as obras para evitar novas ocorrências.
A exposição, que teve sua primeira fase no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, estava em sua segunda etapa e seguiria em cartaz até domingo (20). Além da Praça Arariboia, as esculturas estavam distribuídas por outros pontos estratégicos da cidade, como o calçadão da Praia de Icaraí (em frente à UFF), a Praça do Rádio Amador (em São Francisco) e o Parque da Cidade. Apenas a escultura instalada na praça do MAC permanecerá até o fim da mostra.
Arte que reflete o presente
Com peças de até dois metros de altura, a mostra “Primórdios digitais” tem como objetivo provocar o público sobre os impactos da tecnologia no cotidiano e nas relações humanas. Na escultura “Desconectados”, os primatas seguram celulares em uma alegoria direta à alienação provocada pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos.
A decisão da prefeitura levanta questionamentos sobre os limites da arte urbana em espaços públicos e os desafios de preservar o patrimônio artístico diante da vulnerabilidade a atos de vandalismo. A gestão municipal lamentou o ocorrido e reafirmou seu compromisso com a promoção da cultura, mas ressaltou a necessidade de proteger tanto as obras quanto os espaços urbanos.






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