O prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), foi novamente implicado em investigações sobre o suposto esquema de venda de sentenças, conduzidas pela Polícia Federal (PF). Em uma gravação obtida pela PF, Siqueira Campos afirmou que, em 2010, teria recebido informações privilegiadas sobre a deflagração da Operação Maet diretamente de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A declaração ocorreu em uma conversa telefônica com o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do atual governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). A operação, que resultou no afastamento de quatro desembargadores suspeitos de vendas de sentenças no estado, foi conduzida pela PF no final daquele ano.
Segundo o relato do prefeito, o ministro João Otávio de Noronha teria lhe alertado sobre a operação, afirmando: “Só para avisar ao teu pai que vão ser afastados quatro desembargadores”. Na época, José Wilson Siqueira Campos, pai do prefeito, havia sido eleito governador de Tocantins. No entanto, o ministro João Otávio de Noronha, atual relator da Operação Maximus, que investiga vendas de decisões no Tribunal de Justiça de Tocantins, refutou as acusações. Em nota, o ministro declarou que não participou de qualquer reunião com Siqueira Campos e afirmou não ter relações pessoais ou profissionais com o prefeito e o advogado mencionados.
A acusação de vazamento de informações veio à tona no contexto da Operação Sisamnes, uma investigação da PF que apura a venda de sentenças judiciais e espionagem ilegal de autoridades. A operação ganhou força após o celular do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto, investigado por envolvimento em um esquema de corrupção no TJTO, ser apreendido pela PF. No dispositivo, foram encontradas mensagens que indicavam que o desembargador teria sido alertado sobre uma operação da PF semanas antes, e as investigações apontaram Thiago Barbosa como responsável por esse vazamento. A PF, então, solicitou a prisão de Barbosa, que foi detido em maio, e durante sua detenção, foram encontrados áudios que revelam conversas envolvendo o prefeito de Palmas.
Em um desses áudios, Siqueira Campos afirma ter uma “fonte” dentro do STJ, a qual seria paga para vazar informações sobre o andamento dos processos. “Aqui vão dançar dois juízes e pelo menos três advogados”, disse ele, antecipando os impactos das investigações. Esse diálogo foi gravado em junho de 2024, quando o prefeito estava em plena campanha para reeleição. O conteúdo das gravações, somado à prisão de Thiago Barbosa, levou a PF a solicitar a busca e apreensão do celular do prefeito, que foi realizada na última fase da Operação Sisamnes, em 30 de maio.
Em entrevista coletiva, Eduardo Siqueira Campos negou qualquer envolvimento com o vazamento de informações do STJ. “Só sei o que dizem por aí. Eu não tenho nenhuma informação privilegiada; estou aqui para responder em relação ao fato do suposto vazamento de informação”, declarou o prefeito. No entanto, a investigação segue, e as provas colhidas pela PF demonstram que Siqueira Campos possuía pleno conhecimento sobre os avanços das investigações e os detalhes das operações da PF, gerando sérias suspeitas sobre sua possível participação no esquema.
A Operação Sisamnes, que revelou a venda de sentenças judiciais e espionagem de autoridades, também desmontou uma organização criminosa envolvida em homicídios por encomenda e outros crimes. Durante as investigações, a PF descobriu tabelas de preços utilizadas pelo grupo para monitorar autoridades, incluindo ministros do STF e do STJ, como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. O desdobramento dessa operação pode ter implicações significativas para a política e a Justiça em Tocantins e no Brasil.





