O projeto Praça Onze Maravilha deve voltar à pauta da Câmara de Vereadores do Rio nesta quarta-feira após quase três semanas de negociações, adiamentos e debates intensos entre parlamentares, prefeitura e representantes da sociedade civil. A proposta prevê uma ampla reestruturação urbana na região central da cidade, incluindo a derrubada do Elevado 31 de Março até o fim de 2028.
A principal intervenção planejada envolve a reorganização do trânsito entre a Zona Sul, a Zona Norte e o subúrbio carioca. A ideia é substituir o elevado por um mergulhão, utilizando a ligação pelo túnel Santa Bárbara para redistribuir o fluxo de veículos na região.
O andamento da votação, porém, foi travado pelo grande número de emendas apresentadas ao texto original. Ao todo, mais de 180 propostas de alteração foram protocoladas pelos vereadores.
Mudanças no projeto geraram impasse político
Entre as emendas apresentadas está uma proposta da vereadora Tainá de Paula (PT), que estabelece que moradores eventualmente removidos pelas obras sejam reassentados em imóveis construídos na própria região.
Outra sugestão em discussão prevê a restauração da Vila Operária do Estácio, conjunto habitacional inaugurado em 1906 e atualmente ocupado por cerca de 120 famílias. O tema ganhou força durante as negociações realizadas nos últimos dias.
Durante as tratativas, a prefeitura concordou em rever o gabarito inicialmente previsto para áreas do Catumbi. O projeto original autorizava prédios de até 92 metros de altura, equivalentes a aproximadamente 30 andares.
Prefeitura aceita rever altura de prédios
A mudança ocorreu após críticas de moradores e urbanistas, que argumentaram que o conjunto de edifícios poderia bloquear a paisagem observada a partir do Largo das Neves, em Santa Teresa.
Como parte do acordo político, uma nova emenda articulada pelo governo municipal deverá ampliar o gabarito permitido na Avenida Presidente Vargas, no sentido Zona Norte. Nesse trecho, os edifícios poderão alcançar até 50 andares, acima do limite de 30 inicialmente previsto.
O presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, Pedro Duarte (PSD), afirmou que o governo também aceitou atrelar a venda do terreno dos barracões das escolas de samba do Grupo Especial à construção de 15 novos espaços em uma área próxima à Avenida Presidente Vargas.
Pressão de moradores influenciou alterações
Já o presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD), sugeriu que a prefeitura negocie um acordo com o governo estadual para ajudar na conclusão das obras de ligação entre as estações Estácio e Carioca do metrô.
As alterações no texto ocorreram após pressão de entidades ligadas ao urbanismo e de moradores da região central do Rio. Durante audiência pública realizada recentemente, representantes da sociedade civil reclamaram da falta de participação nas discussões iniciais do projeto.





Deixe um comentário