Por que esse ciclone extratropical é diferente no Rio? Meteorologistas explicam

Há previsão de rajadas fortes e chuva volumosa entre esta noite e a madrugada de domingo (9)

A passagem de um ciclone extratropical pelo Sudeste provocou chuva intensa, ventania e transtornos em várias regiões no estado do Rio, neste sábado (08). Embora o fenômeno apresente sinais de enfraquecimento, ainda há previsão de rajadas fortes e chuva volumosa entre esta noite e a madrugada de domingo (09).

Especialistas ouvidos por Agenda do Poder explicam que, em geral, ciclones extratropicais se formam sobre o oceano e chegam ao Brasil já debilitados. 

Desta vez, porém, o sistema nasceu mais próximo do continente, entre Argentina, Uruguai e Sul do Brasil, um detalhe que fez toda diferença sobre os impactos sentidos no Rio, afirma a meteorologista Camilla Visibelli, da eventSEG.

Ao nascer sobre áreas continentais, o ciclone não passou pelo processo natural de perda de força sobre o mar. 

“Quando forma em cima do continente, ele não tem essa passagem de desintensificação. Então, vem no começo da vida, quando vai se desenvolver e atingir a maturidade”, explica Visibeli.

Esse estágio inicial é justamente o período em que o ciclone apresenta maior instabilidade. Por isso, o sistema que atingiu o Sudeste neste sábado (8) chegou trazendo potencial ampliado para eventos extremos. 

“Com isso, vem o potencial de eventos extremos: chuvas extremamente volumosas, rajadas de ventos intensas, linhas de instabilidade”, analisa Visibeli. 

Como se forma um ciclone extratropical

Um ciclone extratropical surge quando uma massa de ar frio vinda dos polos encontra uma massa de ar quente de origem equatorial. 

O choque entre essas duas massas cria uma área de forte contraste térmico e, consequentemente, uma zona de baixa pressão.

Embora seja um processo comum, ele se torna mais perigoso quando ocorre perto do continente. Foi o que aconteceu desta vez, provocando destruição especialmente no Paraná, onde a força do fenômeno devastou parte do estado.

Tornado no Paraná | Ari Dias/ Aen

Segundo Visibelli, os locais que merecem maior atenção no Rio são as Regiões Serranas, o Centro-Sul da capital e o litoral sul, incluindo Angra dos Reis e Paraty, áreas naturalmente mais suscetíveis a chuva intensa e rajadas aceleradas pelo relevo.

O que mostram as medições de vento

A meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, destaca que o ciclone continua se deslocando pelo mar, ao largo das costas do Rio e de São Paulo, e ainda mantém capacidade de gerar ventos muito fortes.

“No decorrer deste sábado, a presença deste ciclone extratropical pode causar ventos de 80 km/h a 100 km/h no litoral do RJ e na serra. As regiões elevadas contribuem para acelerar o vento”, afirma.

Alguns pontos do estado já registraram rajadas expressivas:

Pico do Couto (Petrópolis): 94 km/h

Arraial do Cabo: 96 km/h

Aeroporto do Galeão: 77 km/h

O que esperar neste domingo

Com o ciclone se afastando, o tempo entra em transição, mas ainda exige atenção. Para este domingo (9), a previsão indica:

• Vento forte na madrugada;

• mar muito agitado;

• céu com muitas nuvens;

• temperaturas mais amenas, sem ultrapassar os 26°C na capital;

• chuva fraca a moderada em diferentes áreas do estado.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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