Datafolha: avaliação negativa do governo Lula caiu para 38%, enquanto aprovação subiu para 32%

Avaliação de Lula melhora após medidas econômicas e crise de Flávio Bolsonaro

A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado aponta uma melhora gradual na avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Embora a gestão ainda seja vista de forma negativa pela maior parte dos brasileiros, a distância entre os índices de aprovação e reprovação diminuiu nos últimos levantamentos.

Segundo o instituto, 38% dos entrevistados consideram o governo ruim ou péssimo, enquanto 32% avaliam a administração como ótima ou boa. Outros 28% classificam a gestão como regular.

Os números mostram uma recuperação em relação aos levantamentos anteriores. Em abril, a diferença entre avaliação negativa e positiva era de 11 pontos percentuais, com 40% de ruim ou péssimo contra 29% de ótimo ou bom. Na semana passada, a distância caiu para nove pontos. Agora, a diferença ficou em seis pontos percentuais.

Empate técnico

Outro dado que chamou atenção foi o empate entre aprovação e desaprovação do governo federal. Atualmente, 48% dos entrevistados aprovam o trabalho de Lula, enquanto o mesmo percentual desaprova a gestão.

Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, o cenário era mais desfavorável ao presidente: 45% aprovavam o governo e 51% desaprovavam.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros entre os dias 20 e 21 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Reflexos políticos

A pesquisa foi a primeira realizada integralmente após a repercussão do caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio ganhou destaque após a revelação de que o senador teria pedido recursos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Entre os entrevistados que afirmaram conhecer o caso, 64% disseram considerar que Flávio Bolsonaro agiu mal ao pedir dinheiro ao empresário.

No cenário eleitoral testado pelo instituto, Lula ampliou vantagem sobre o senador do PL. Na simulação de primeiro turno, o presidente apareceu com 40% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro.

Na rodada anterior da pesquisa, divulgada na semana passada, Lula tinha 38% e Flávio aparecia com 35%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

Já no segundo turno, Lula passou de um empate de 45% para uma vantagem de 47% contra 43% do adversário.

Recuperação gradual

O levantamento também indica que o governo tenta recuperar popularidade após enfrentar momentos de forte desgaste ao longo do mandato.

O pior índice da atual gestão foi registrado em fevereiro de 2025, quando apenas 24% avaliavam o governo como ótimo ou bom. Na mesma época, a avaliação negativa chegou a 41%.

Desde então, o índice de ruim ou péssimo oscilou entre 37% e 40%, enquanto a aprovação começou a apresentar leve recuperação.

Nos últimos meses, o governo federal anunciou uma série de medidas de impacto popular, como o lançamento do Desenrola 2.0, a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, medidas para conter a alta da gasolina e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

Comparação histórica

Em comparação com outros presidentes no mesmo período de mandato desde Fernando Henrique Cardoso, os índices negativos de Lula ainda permanecem elevados.

Segundo o Datafolha, os atuais 38% de avaliação ruim ou péssima só ficam abaixo do percentual registrado por Jair Bolsonaro em 2022, quando 48% classificavam sua gestão de forma negativa.

No mesmo estágio do mandato, Dilma Rousseff registrava 26% de avaliação negativa em 2014. Lula tinha apenas 5% em 2010 e 22% em 2006.

Já Fernando Henrique Cardoso aparecia com 21% em 1998 e 29% em 2002.

Fidelidade do eleitorado

A pesquisa também mostrou estabilidade entre os eleitores que participaram do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Segundo o levantamento, 91% afirmam não ter se arrependido do voto dado naquela disputa. Entre os eleitores de Lula, o índice chega a 90%.

Os números reforçam a manutenção da fidelidade política dos principais grupos eleitorais, mesmo em um cenário de polarização e desgaste político contínuo.

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