A investigação sobre o assassinato do policial civil João Pedro Marquini, de 38 anos, ocorrido na noite de domingo na Serra da Grota Funda, Zona Oeste do Rio, aponta novos detalhes da abordagem criminosa. Ao perceber um Tiggo 7 atravessado na via e cercado por homens armados, Marquini ligou imediatamente para um amigo pedindo reforço. Sua esposa, a juíza Tula Mello, que seguia em outro veículo, conseguiu dar marcha à ré e escapar. Apesar disso, ao menos quatro disparos atingiram seu carro blindado.
Sozinho, Marquini manteve o amigo na linha e desceu do Sandero prata que dirigia, deixando sua arma e o celular no banco do carona. A polícia acredita que ele não tenha reagido, ao contrário da suspeita inicial. Mesmo assim, foi atingido por cinco tiros, dois no peito. Após vê-lo caído, os criminosos verificaram o interior do Sandero, encontrando a arma e o celular ainda em chamada. Foi nesse momento que perceberam se tratar de um policial e fugiram do local.
O Tiggo 7 foi encontrado posteriormente pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) nas proximidades da comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, levantando suspeitas sobre a participação de Rodnei Lima de Freitas, conhecido como RD do Barbante, chefe do tráfico na região.
Dinâmica do crime e rota de fuga
Antes do crime, Marquini e Tula Mello haviam ido à casa da mãe do policial, em Campo Grande, buscar o Sandero que estava em manutenção. No retorno, por volta das 21h, optaram por passar pela Serra da Grota Funda, que se tornou uma rota de fuga para criminosos desde a inauguração do túnel Vice-Presidente José Alencar. O ataque ocorreu próximo à Avenida Artur Xexéu 25023, sentido Recreio dos Bandeirantes, um local com poucas câmeras de segurança.
Para entender melhor o trajeto percorrido pelos criminosos, agentes da Delegacia de Homicídios da Capital refazem a rota na tentativa de localizar imagens que possam ajudar na identificação dos envolvidos.
Legado e homenagem
A Core divulgou uma nota de pesar destacando a trajetória de Marquini, afirmando que ele era “respeitado e admirado por seus irmãos”, além de “uma referência” para seus colegas. “Por inúmeras vezes, colocou sua própria vida em risco para proteger seus irmãos e a sociedade, sempre com bravura e altruísmo”, diz o texto. Marquini alcançou o posto mais alto da carreira, o de comissário de polícia, por conta de seu desempenho exemplar.
Casamento e despedida
Casado com Tula Mello desde fevereiro de 2024, o policial compartilhou momentos românticos ao lado da magistrada em viagens e aventuras. No aniversário dele, em novembro passado, Tula expressou sua admiração e amor em um post emocionante no Instagram. “Independentemente da força da tempestade que passa (tudo passa), a gente fica. Fica junto, fica feliz, fica firme”, escreveu ela. No encerramento, citou Paulinho da Viola: “Foi um rio que passou em minha vida. E meu coração se deixou levar… por você. Ontem, hoje. Sempre, para sempre. Te amo”.
Com informações de O Globo
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