O assassinato do policial militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro na Região Metropolitana de Fortaleza, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. A colega de corporação Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, estão presos e são investigados pela participação no crime.
A polícia trabalha com a hipótese de que Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal. A investigação também passou a questionar a versão apresentada pela policial sobre o que teria ocorrido na madrugada em que o soldado foi morto.
Um novo episódio envolvendo o caso ocorreu nesta sexta-feira (14), quando o advogado Walmir Medeiros, de 62 anos, foi detido após tentar entregar um telefone celular à cliente dentro da unidade prisional. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o objetivo seria facilitar a comunicação da policial com terceiros.
Advogado é detido ao tentar entregar celular
A ocorrência envolvendo o advogado foi encaminhada à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil. Walmir Medeiros assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação em unidade prisional sem autorização legal.
O celular foi apreendido e o advogado acabou liberado. Segundo as autoridades, ele já responde por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha.
Enquanto isso, Júlia teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, enquanto Antoneudo passou a cumprir prisão temporária. Os dois haviam sido presos inicialmente em flagrante e tiveram as situações judiciais modificadas após os avanços da investigação.
Corpo foi encontrado dentro de carro incendiado
Raphael Sampaio foi localizado na manhã de terça-feira, depois que uma testemunha acionou as forças de segurança ao perceber um veículo em chamas no bairro Ancuri, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Equipes do Corpo de Bombeiros controlaram o incêndio e encontraram o corpo do policial dentro do automóvel. No mesmo dia, Júlia foi localizada em uma área de mata próxima à BR-116, em Aquiraz, com as mãos amarradas.
Em depoimento, a policial afirmou que havia pegado uma carona com Raphael depois do expediente e que os dois teriam sido abordados por criminosos. Segundo o relato, ela teria sido retirada do veículo, amarrada e colocada no porta-malas, enquanto o soldado permaneceu no carro.
A versão, porém, passou a ser contestada depois que imagens de uma câmera de segurança, divulgadas pela TV Verdes Mares, mostraram Júlia na oficina pertencente ao marido às 8h52, sem estar com as mãos amarradas.
Polícia questiona versão apresentada pela policial
A agente foi encontrada usando o mesmo vestido rosa que aparece nas imagens da câmera de segurança. Diante disso, a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de que a cena tenha sido forjada para sustentar a versão de que ela também teria sido vítima da ação criminosa.
A hipótese de relacionamento entre Raphael e Júlia também ganhou força durante a investigação. No velório do soldado, a tia dele, Rosilane Sampaio, afirmou que o sobrinho mantinha um relacionamento extraconjugal com a policial que está presa.
As circunstâncias da morte e a eventual participação de cada suspeito ainda são investigadas pelas autoridades cearenses.
Marido foi preso após apreensão de documentos e munições
Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35 anos, foi preso no mesmo dia em que Júlia foi detida. Inicialmente, segundo a defesa, a prisão não ocorreu diretamente por causa da suspeita de homicídio, mas em razão de materiais encontrados no imóvel do homem.
De acordo com a advogada Karla Borges, foram apreendidas seis munições calibre .38, além de documentos e carteiras de identidade consideradas falsas. O homem foi autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição de arma de fogo.
A defesa sustenta que Antoneudo foi chamado para prestar novo depoimento quando já estava deixando a delegacia e acabou preso em flagrante após a apreensão dos materiais.
Casal já era investigado por outros crimes
A SSPDS informou que Antoneudo possui registros relacionados a estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, integração de organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Júlia também responde a investigações anteriores por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integração de organização criminosa. Os antecedentes estão relacionados a um inquérito instaurado em junho de 2025 pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Segundo as autoridades, a investigação começou após uma denúncia de uma empresa de transporte por aplicativo. O casal e outras 11 pessoas são apontados como integrantes de um esquema envolvendo a criação de contas falsas na plataforma.
Polícia explica ingresso de Júlia na corporação
A Polícia Militar do Ceará informou que Júlia ingressou na corporação por meio de concurso público realizado em 2021. Ela foi convocada no ano seguinte, quando estava grávida.
De acordo com a SSPDS, a investigação social do concurso foi concluída em fevereiro de 2022 e não houve reprovação da candidata nessa etapa. O teste de aptidão física foi realizado posteriormente em razão da gestação, e ela foi considerada apta.
Em 2024, Júlia participou do Curso de Formação de Soldados. Depois da conclusão, passou a integrar oficialmente o efetivo da Polícia Militar do Ceará, na graduação de soldado, em novembro daquele ano. As autoridades ressaltam que o ingresso na corporação ocorreu antes dos crimes investigados atualmente.







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