Os policiais que participaram da operação no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, nesta quarta-feira não tinham câmeras nos uniformes. O equipamento ainda não foi implantado nas unidades do Comando de Operações Especiais (Bope). A ação, em conjunto com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, deixou dez pessoas mortas e cinco feridas, entre elas dois policiais militares. Os baleados foram levados para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, por carros particulares, um mototaxista e um caveirão.
Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar disse que está “em fase de elaboração uma resolução conjunta com a Secretaria de Estado de Polícia Civil, que vai regulamentar o uso das câmeras corporais pelas forças especiais”. Segundo a corporação, o cronograma de implantação do equipamento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e será respeitado conforme determinado pela Corte.
No mês passado, o Governo do Rio publicou decreto determinando que agentes das tropas de elite das polícias Civil e Militar – Core, Batalhão de Choque e Bope – passem a usar câmeras em fardas, atendendo a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, o Governo do Rio reforçou que ainda seriam detalhados em que circunstâncias as instituições poderiam dispensar o uso da câmera corporal em operações com ações de inteligência.
Em ocorrências envolvendo prisões em flagrante delito, o objetivo do equipamento é estabelecer um fluxo de fornecimento das imagens; no caso das ocorrências envolvendo letalidade violenta, o objetivo é preservar as imagens para efeito de provas nos procedimentos apuratórios.
– Estamos atendendo às deliberações do Supremo Tribunal Federal e para isso é necessária a normatização do acesso às imagens produzidas pelas câmeras operacionais portáteis. É bom ressaltar que as câmeras corporais foram adquiridas na nossa gestão antes mesmo que houvesse determinação judicial. Foi a maior licitação para esse tipo de equipamento já feito no país e faz parte do Programa Estadual de Transparência em Ações de Segurança Pública – ressaltou o governador Cláudio Castro na ocasião.
Segundo relatos de moradores, desde o início da manhã houve um intenso tiroteio na região. Fogo foi ateado em barricadas para atrapalhar a circulação dos agentes. Ônibus não conseguiram passar por vias da região. A ação que envolveu policiais civis e militares teve início às 5h30 e terminou por volta das 15h.
Os três feridos que ainda se encontram no Getúlio Vargas têm estado de saúde estável. O PM foi transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio. De acordo com a corporação, seu estado de saúde é estável. O outro policial, atingido por estilhaços, foi medicado e liberado.
Em frente ao hospital, o choro e a aflição tomaram conta de parentes que aguardam para fazer o reconhecimento dos mortos. A direção da unidade de saúde chamou um represente de cada família por vez. Muitos vieram já sabendo que o parente está morto, e aguardavam apenas a oficialização.
Atuaram no Complexo da Penha, principalmente na Vila Cruzeiro e no Morro da Chatuba, equipes do Batalhão de Operações Especias (Bope), da Polícia Militar, e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. As equipes contaram com o apoio de aeronaves e veículos blindados. O objetivo da operação era capturar bandidos que participavam de uma reunião, na localidade conhecida como Vacaria, onde estariam organizando invasões a territórios controlados por bandidos rivais.
De acordo com a Core, a Vila Cruzeiro é um dos principais redutos do grupo criminoso ligado a maior facção criminosa do Rio, onde os bandidos se estruturam para iniciar guerras e invasões a territórios de bandos inimigos. A Polícia Militar informou que um monitoramento do Setor de Inteligência indicou que ocorreria uma reunião de chefes de grupos de criminosos na região, nesta quarta. Os bandidos, de acordo com o porta-voz da PM, coronel Marco Andrade, vestiam roupas similares às das forças de segurança do estado. O militar destacou ainda que a ação foi pontual e destacou que a opção do confronto nunca é da polícia:
– Essa opção é de bandidos que procuram efetivamente subjugar as pessoas que moram naquela região e afrontaram o estado efetivamente.
Segundo a polícia, entre os mortos, dois foram identificados como Carlos Alberto Marques Toledo, o Fiel. Ele seria gerente do tráfico nas comunidades da Chatuba, e Sereno, na Penha, com influência ainda no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Já Cláudio Henrique da Silva Brandão, o Do leme, é apontado como seu segurança. Os dois eram procurados pela polícia. Os agentes afirmaram em coletiva que pelo menos um deles usava uma farda semelhante às utilizadas por homens do Bope. Sete fuzis foram apreendidos, além de granadas e munição.
Com informações de O Globo.





