Polícia prende influenciador que seria aposta política do Comando Vermelho em Alagoas

Investigação aponta que PTK foi recrutado por líder da facção para representar interesses do grupo no cenário eleitoral

Uma operação da Polícia Civil de Alagoas contra integrantes do Comando Vermelho (CV) resultou, nesta quarta-feira (3), na prisão do influenciador digital Patrick de Almeida Silva, conhecido nas redes sociais como PTK. Segundo os investigadores, ele teria sido escolhido pela cúpula da facção criminosa para ingressar na política e atuar como representante do grupo no estado.

A prisão ocorreu em Maceió durante uma ação que mobilizou agentes em Alagoas e no Rio de Janeiro. Ao todo, foram expedidos 51 mandados judiciais, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão e outras medidas cautelares. Até o fim da tarde, nove pessoas haviam sido presas.

Com mais de 180 mil seguidores no Instagram, PTK ganhou notoriedade ao produzir conteúdo voltado para motociclistas, entregadores por aplicativo e moradores de comunidades periféricas da capital alagoana. Em seus perfis, ele se apresenta como pré-candidato a deputado federal.

O advogado do influenciador informou que se pronunciaria após uma reunião, mas não havia apresentado manifestação até a publicação desta reportagem.

Ligação com a facção

De acordo com a investigação, Patrick teria sido recrutado por José Emerson da Silva, conhecido como Nem Catenga, apontado pela polícia como a principal liderança do Comando Vermelho em Alagoas.

Mesmo foragido e escondido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Nem Catenga continuaria exercendo influência direta sobre as atividades da organização criminosa no estado nordestino, segundo os investigadores.

A polícia afirma que o líder da facção teria escolhido o influenciador para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024, com o objetivo de ampliar a influência do grupo criminoso em espaços institucionais.

Durante a operação, os agentes apreenderam com PTK cerca de R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos iPhone, dois anéis de ouro e um pendrive.

Viagem ao Rio

Entre as provas reunidas pela investigação está um áudio atribuído a Nem Catenga, no qual o traficante supostamente convida o influenciador para uma viagem ao Rio de Janeiro.

Segundo a polícia, Patrick posteriormente teria viajado ao estado para se encontrar com o líder da facção. Durante entrevista coletiva, os investigadores apresentaram fotografias que, segundo afirmam, registrariam esse encontro.

Em uma das imagens exibidas, o influenciador aparece fazendo um gesto que a polícia associa ao Comando Vermelho. Em outro vídeo apresentado pelos investigadores, ele surge exibindo diversas cédulas de R$ 200.

Celulares e dinheiro apreendidos com PTK em operação na quarta-feira.

Estrutura do grupo

As investigações são conduzidas pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco). Segundo o delegado Igor Diego, Nem Catenga mantém o comando da facção em Alagoas mesmo estando fora do estado.

A polícia sustenta que a organização opera por meio de lideranças regionais distribuídas em diferentes áreas do território alagoano, todas subordinadas à cúpula instalada no Rio de Janeiro.

Entre os nomes citados está Kleber Santos da Silva, conhecido como Kebinho ou Clebinho, apontado como responsável pela atuação do grupo no litoral norte, especialmente na região da Rota dos Milagres. Outro investigado é Rafinha, conhecido como 99, que seria responsável pelas ações da facção em Rio Largo e municípios vizinhos.

Também aparecem nas investigações os apelidados Lalo, apontado como articulador no litoral sul e responsável por intermediar o envio de armas, e Salsicha, identificado como liderança do grupo na região de Maribondo.

Tribunal do crime

Durante a apresentação da operação, a Polícia Civil exibiu vídeos que, segundo os investigadores, ajudam a demonstrar a estrutura de controle exercida pela facção.

Um dos registros mostraria um homicídio supostamente ordenado por uma das lideranças investigadas em meio a disputas relacionadas ao tráfico de drogas. Outro vídeo apresentado pela polícia retrataria uma sessão de “disciplina”, prática atribuída ao chamado tribunal do crime.

De acordo com a investigação, imagens desse tipo eram enviadas para Nem Catenga no Rio de Janeiro, permitindo que ele acompanhasse e supervisionasse as ações dos integrantes da organização em Alagoas mesmo à distância.

Avanço das investigações

A operação faz parte de uma ofensiva das autoridades contra a estrutura do Comando Vermelho em Alagoas e busca identificar não apenas integrantes diretamente envolvidos em atividades criminosas, mas também possíveis estratégias de expansão da influência da facção.

As investigações prosseguem para esclarecer a extensão da atuação dos suspeitos e a eventual utilização de figuras públicas ou influenciadores digitais em projetos ligados aos interesses da organização criminosa.

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