Polícia e MP miram empresário e fintech em nova operação contra venda de combustíveis adulterados pelo PCC em SP

Ministério Público e PM cumprem 25 mandados contra grupo que usava postos, motéis e franquias para lavar dinheiro do crime organizado

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Militar deflagraram na manhã desta quinta-feira (25) a Operação Spare, com o objetivo de desarticular um braço do Primeiro Comando da Capital (PCC) infiltrado nos setores de combustíveis e jogos de azar. Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em seis municípios: São Paulo (19 mandados), Santo André (2), Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco.

As investigações apontam que o empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, comandava o esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, utilizando postos, empreendimentos imobiliários, motéis e franquias como instrumentos para ocultar recursos ilícitos.

A fintech BK Bank também é investigada no caso e já tinha sido alvo de outra operação, ocorrida em 28 de agosto.

Ligação com a Operação Carbono Oculto

A ofensiva desta quinta é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou a atuação do PCC em fintechs da Faria Lima para inserir dinheiro em espécie no sistema financeiro. Segundo a Receita Federal, os valores eram movimentados por maquininhas, empresas de fachada e sociedades em conta de participação (SCP), sendo posteriormente reinvestidos em imóveis e negócios.

De acordo com o MP-SP, a Spare deveria ter ocorrido junto com a Carbono Oculto, mas medidas cautelares foram inicialmente negadas pela Justiça de 1º grau. Apenas após recurso ao Tribunal de Justiça foi possível obter autorização para a operação.

Rastro descoberto em máquinas de pagamento

As investigações tiveram início em 2020, quando a PM encontrou uma máquina de cartão em uma casa de jogos clandestinos em Santos. O equipamento estava vinculado à empresa Posto Mingatto Ltda., mas registrado em endereço que não correspondia à sede em Campinas.

Na mesma época, o Gaeco identificou outra máquina ligada ao Auto Posto Carrara Ltda., também associada a casas de jogos. A quebra de sigilo bancário revelou movimentações suspeitas com destino à BK Bank, fintech acusada de operar valores do PCC.

A apuração concluiu que recursos de jogos de azar e adulteração de combustíveis passavam por contas de postos e eram transferidos à BK Bank. Documentos ainda mostram que a quadrilha atuava de forma recorrente em crimes contra consumidores.

Fraudes no setor de combustíveis

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi acionada e enviou planilhas com mais de 3 mil ocorrências em cerca de 50 postos. Ao menos 350 registros apontam venda de combustíveis fora das especificações, presença de solventes, excesso de etanol e bombas adulteradas.

Um dos alvos da operação é uma loja popular na Avenida Rio das Pedras, na zona leste da capital paulista. Embora funcione como comércio de artigos a R$ 1,99, a fachada é utilizada como sede de empresas que movimentaram milhões de reais.

Estrutura empresarial e uso de laranjas

A rede criminosa se apoiava em empresas de fachada e laranjas para movimentar valores ilícitos. Entre as firmas identificadas estão Zangão Intermediações, Optimus Intermediações, Athena Intermediações e Cangas Intermediações e Negócios.

As investigações também revelaram que contadores tinham papel central na engrenagem. Um deles possui procuração da Receita Federal para administrar 941 empresas, das quais mais de 200 atuam no ramo de combustíveis. Ele aparece ainda como responsável contábil da S4 Administradora de Postos e Lojas de Conveniência, usada na gestão dos estabelecimentos controlados pelo grupo.

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