A Polícia Civil de São Paulo acredita ter desarticulado o principal núcleo responsável pela fabricação e distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no Estado. O delegado-geral Artur Dian afirmou nesta sexta-feira (17) que todas as bebidas contaminadas identificadas até agora têm origem em uma fábrica clandestina controlada por uma família em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Vanessa Maria da Silva, apontada como líder do esquema, foi presa em flagrante na semana passada. Ela seria a principal responsável por coordenar a adulteração das bebidas e sua distribuição para bares e restaurantes. O delegado explicou que “é possível estabelecer um vínculo direto de que todas as bebidas saíram, em algum momento, desse círculo familiar que envolve a Vanessa”.
Dian destacou que, com a operação desta sexta-feira, foi encerrado o primeiro ciclo da investigação, que compreende toda a cadeia criminosa — da produção à venda. “O primeiro ciclo dessa cadeia criminosa foi fechado com a operação de hoje”, afirmou.
Seis mortes e casos de cegueira
As autoridades já confirmaram seis mortes associadas à ingestão das bebidas contaminadas, além de uma vítima que perdeu a visão. Duas dessas mortes foram comprovadamente causadas por produtos fabricados na unidade de Vanessa, e quatro ainda estão sob análise. “Não é uma quantidade enorme de mortes, são seis, o que é extremamente grave, mas duas a gente já comprovou que saíram dali”, afirmou o delegado-geral.
Entre as vítimas estão Ricardo Lopes, de 54 anos, e Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46, que morreram após consumir bebidas no Bar Torres, na Mooca, zona leste da capital. O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária. Em nota, o bar declarou colaborar com as investigações e garantiu que “todas as bebidas são originais e adquiridas apenas de fornecedores oficiais”.
Esquema familiar e fornecimento de combustível
De acordo com a Polícia Civil, o pai, o irmão e o cunhado de Vanessa também integravam a quadrilha e foram presos. As investigações indicam que o grupo comprava etanol adulterado com metanol de dois postos de combustíveis da região do ABC. “O combustível que estava na casa da Vanessa foi comprado nesses postos, e foi constatado que as bombonas continham etanol com metanol”, explicou Dian.
O delegado acrescentou que ainda não há confirmação de que o grupo tenha distribuído o produto para outros Estados, embora essa possibilidade esteja sendo investigada.
Metanol e investigações paralelas
O metanol é uma substância altamente tóxica usada na fabricação de tintas e vernizes. Quando ingerido, pode causar cegueira e morte. A Polícia Federal apura se o produto usado na adulteração foi desviado de operações contra o crime organizado no setor de combustíveis.
A delegada Isa Lea Abramavicus, da Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública, afirmou, no entanto, que não há relação entre os postos envolvidos e a operação Carbono Oculto, que investiga o uso de metanol por facções criminosas.
Até agora, 41 casos confirmados no Brasil, com oito mortes
Segundo boletim do Ministério da Saúde divulgado na quarta-feira (15), o Brasil já registra 41 casos confirmados de intoxicação por metanol e oito mortes — seis delas em São Paulo e duas em Pernambuco. As autoridades federais e estaduais seguem rastreando a origem do produto e reforçam o alerta para que a população evite o consumo de bebidas de procedência duvidosa.






Deixe um comentário