O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (8) que o metanol encontrado em bebidas alcoólicas analisadas não é resultado de processo natural de destilação, mas foi adicionado de forma deliberada. Segundo reportagem da CNN Brasil, a constatação reforça a suspeita de adulteração intencional ou acidental durante a produção ou falsificação das bebidas.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que participa integralmente das perícias de constatação e de medição da concentração das amostras, além de realizar exames documentoscópicos de rótulos e lacres dos recipientes apreendidos. O órgão, no entanto, não detalhou quantas garrafas foram analisadas nem os locais exatos de coleta.
Na segunda-feira (6), o governo paulista já havia confirmado que perícias iniciais detectaram metanol em bebidas de duas distribuidoras localizadas na capital. O novo boletim, divulgado na terça-feira (7), contabiliza 18 casos de intoxicação e três mortes confirmadas. As vítimas são dois homens, de 54 e 46 anos, moradores de São Paulo, e uma mulher de 30 anos, residente em São Bernardo do Campo.
Metanol pode ter sido misturado a etanol adulterado
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, afirmou à CNN Brasil que os investigadores trabalham com duas principais linhas de apuração sobre a origem da contaminação. A hipótese mais aceita até o momento é que o metanol tenha sido utilizado durante a falsificação das bebidas.
“A gente acha que pode ter sido usado o etanol comprado no posto de gasolina que tenha sido batizado com metanol e, desta forma, a bebida foi contaminada”, explicou Dian.
Outra linha de investigação considera a possibilidade de que o produto químico tenha sido obtido a partir de cargas de metanol abandonadas após operações policiais contra contrabando ou adulteração de combustíveis. Essas substâncias poderiam ter sido desviadas para a produção clandestina de bebidas alcoólicas.
Força-tarefa intensifica fiscalizações e prisões
O governo de São Paulo intensificou as ações de combate à adulteração de bebidas. De acordo com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a força-tarefa formada pela Polícia Civil e pela Vigilância Sanitária resultou em 41 prisões e no fechamento de quatro fábricas clandestinas nas últimas semanas.
As operações incluem apreensão de garrafas, coleta de amostras, análise de rótulos falsificados e interdição de estabelecimentos suspeitos de comercializar produtos adulterados. Segundo o governador, o objetivo é “fechar o cerco” contra o comércio irregular e punir os responsáveis pela contaminação.
Alerta e prevenção
O caso mobiliza autoridades de saúde e segurança em todo o estado. O governo paulista orienta a população a evitar o consumo de bebidas sem procedência verificada, especialmente as vendidas a preços muito abaixo do mercado.
O metanol é uma substância tóxica que pode causar graves danos à saúde, incluindo cegueira, falência de órgãos e morte, mesmo em pequenas quantidades.
A Polícia Científica segue com novas análises para rastrear a origem do produto contaminado, enquanto a Polícia Civil mantém investigações abertas para identificar os responsáveis pela adulteração. As autoridades afirmam que a prioridade é impedir novas vítimas e reforçar a fiscalização em toda a cadeia de produção e distribuição de bebidas alcoólicas no estado.






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