Corretor é investigado por série de golpes em aluguéis na Barra da Tijuca

Polícia Civil apura denúncias de falsificação de garantias locatícias, retenção de aluguéis e apropriação de recursos em contratos administrados por corretor

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro coloca sob suspeita a atuação de um corretor de imóveis acusado por proprietários e inquilinos de aplicar golpes em contratos de locação na Barra da Tijuca e em outras regiões da Zona Oeste da capital.

Segundo relatos apresentados às autoridades, o corretor André Luiz Ferreira teria utilizado diferentes mecanismos para obter vantagens financeiras indevidas durante a administração de imóveis alugados. As denúncias incluem retenção de valores de aluguel, cobrança irregular de taxas e suposta falsificação de documentos relacionados às garantias locatícias. As informações são do RJTV2, da Rede Globo.

Garantia de R$ 66 mil teria sido reduzida a R$ 16 mil

Um dos casos investigados envolve o motorista de táxi Marcelo Ornellas de Andrade e sua esposa, proprietários de um imóvel na Barra da Tijuca.

Segundo o casal, o corretor administrava tanto a locação quanto a gestão financeira do contrato. As suspeitas surgiram após cobranças extras de condomínio. Mais tarde, eles descobriram que as mesmas despesas também estavam sendo cobradas dos inquilinos.

O maior prejuízo, segundo os proprietários, estaria relacionado ao título de capitalização utilizado como garantia do aluguel. O contrato previa uma aplicação de R$ 66 mil, mas, ao término da locação, foi constatado que o valor efetivamente aplicado seria de apenas R$ 16 mil.

“Ele nos apresentou certificado no valor de 66 mil, com timbre, carta assinada… no fundo aquele documento continha valor 66 mil. Era documento falso, porque a aplicação foi apenas de 16 mil reais”, afirma Marcelo

As vítimas afirmam ainda que o montante foi resgatado sem autorização.

Família estrangeira relata prejuízo

Os inquilinos do imóvel, um casal de cidadãos russos, também afirmam ter sido prejudicados.

Segundo Olga Vladimirovna Khabarkova, o valor destinado à garantia foi pago logo após a chegada da família ao Brasil. Ela afirma que a perda dos recursos comprometeu o tratamento médico de sua filha.

O caso passou a ser acompanhado judicialmente pela advogada Kátia Mello, que representa diferentes vítimas nas ações relacionadas ao corretor.

Outros contratos sob suspeita

As denúncias não se limitam a um único contrato.

O médico Luiz Sousa relatou que alugou um imóvel administrado por André Luiz Ferreira e acreditava estar cumprindo regularmente suas obrigações financeiras. O problema veio à tona quando a proprietária informou que não recebia os aluguéis nem os valores do condomínio havia meses.

Ao procurar a seguradora indicada no contrato, o locatário afirma ter descoberto que não existia qualquer apólice ou título de capitalização registrado em seu nome.

Segundo as vítimas, o prejuízo nesse caso se aproxima de R$ 38 mil.

Polícia identifica padrão

De acordo com o delegado Alan Luxardo, responsável pelas investigações, há pelo menos 17 registros de ocorrência envolvendo o corretor no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, os relatos apresentam características semelhantes e indicam um possível padrão de atuação.

O delegado afirmou que o histórico das denúncias está sendo analisado para verificar a existência de um esquema recorrente de fraudes imobiliárias.

Questionamentos ao Creci

As vítimas também questionam a atuação do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ).

Segundo os denunciantes, o registro profissional de André Luiz Ferreira permanecia ativo no momento em que os contratos foram firmados, o que transmitiu confiança aos clientes.

Em nota, o Creci-RJ informou que existe um processo administrativo em andamento contra o corretor e que, enquanto não houver decisão definitiva, não é possível impedir o exercício da atividade profissional.

O conselho informou ainda que uma audiência de conciliação está marcada para o dia 25 de junho. Caso não haja acordo, a apuração seguirá seu curso administrativo.

A reportagem tentou localizar André Luiz Ferreira nos endereços vinculados às investigações e por contatos telefônicos, mas não obteve retorno.

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