A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu dois suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em golpes imobiliários que enganou pelo menos 30 pessoas em diferentes regiões da capital. Os falsos corretores usavam o nome de uma imobiliária inexistente e simulavam negociações de compra e venda de imóveis anunciados em sites especializados, informa O Globo.
Ofertas tentadoras e contratos falsos
Segundo a 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), responsável pela investigação, o esquema envolvia anúncios reais de casas e apartamentos — mas sem qualquer vínculo com os proprietários. Para atrair compradores, o grupo oferecia preços muito abaixo do valor de mercado e condições facilitadas de pagamento. As vítimas eram convencidas a pagar uma entrada de cerca de 10% do valor total do imóvel, o que, em alguns casos, chegou a R$ 25 mil.
As negociações eram feitas por uma suposta imobiliária e incluíam a assinatura de contratos falsos de financiamento. Depois do pagamento, os criminosos desapareciam, encerrando qualquer contato com as vítimas.
Sala comercial usada como fachada
A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, explicou que os suspeitos operavam a partir de uma sala comercial localizada na Vila da Penha, zona norte do Rio, usada para dar aparência de legalidade aos negócios. “Ficava dentro de uma galeria. Era onde firmavam os acordos ilegais e faziam as transferências. A empresa, com o nome de Losango, não tem alvará para vender imóveis para terceiros”, afirmou.
Ela acrescentou que a quadrilha chegou a usar endereços falsos como o do shopping Barra World, no Recreio dos Bandeirantes, para reforçar a credibilidade da falsa imobiliária. “Em alguns casos, eles conseguiam até entrar nas casas. Em outros, ofereciam apenas o financiamento. Buscavam tirar dinheiro de pessoas sem conhecimento”, disse a delegada.
Investigação continua
De acordo com Daniela Terra, os dois presos representam apenas uma parte de um esquema mais amplo, que movimentava grandes quantias de dinheiro por meio de múltiplas contas bancárias. A delegada informou que pedirá a quebra de sigilo bancário dos suspeitos para rastrear os valores e identificar outros envolvidos.
Ela também fez um alerta aos consumidores: “Comprar um imóvel é algo muito sério, tem papelada de cartório, e, quando tudo parece muito fácil, é preciso desconfiar. As pessoas podem ligar para o Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) para buscar informações.”
Golpe em expansão
As investigações começaram após a denúncia de uma moradora da Rocinha, uma das vítimas da quadrilha. O caso revelou que o grupo aplicava golpes em diferentes bairros, com variações nas estratégias. A Polícia Civil segue apurando o envolvimento de outros suspeitos e novas vítimas devem ser identificadas nos próximos dias.






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