Vendas de destilados caem até 80% em bares do Rio após alerta de metanol

Sindicato aponta queda expressiva no consumo de bebidas alcoólicas, enquanto autoridades investigam casos suspeitos no estado

Os bares do Rio de Janeiro registraram uma queda significativa na venda de destilados no primeiro fim de semana após a divulgação dos casos de intoxicação por metanol no Brasil. Um caso suspeito é de um paciente de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. Segundo o Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio, as vendas despencaram de quinta a domingo.
“A notícia que temos dos nossos associados é que a venda de destilados ou drinks à base de destilados caiu drasticamente, alguns lugares registraram redução de 60 a 80%”, afirmou Fernando Blower, presidente do sindicato. Em alguns estabelecimentos, consumidores têm optado por cerveja em vez de destilados.

Casos suspeitos em investigação
Nesta segunda-feira (6), a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) descartou a hipótese de intoxicação por metanol em um dos dois casos investigados no estado. O paciente que passou mal em Niterói não foi intoxicado. Já o caso de São Pedro da Aldeia ainda segue sob análise.

Perigos do metanol
O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, altamente tóxico quando ingerido. Inicialmente ataca o fígado, que o transforma em substâncias que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também há risco de insuficiência pulmonar e renal.

Dados nacionais sobre intoxicação
Segundo o Ministério da Saúde, já foram registradas 225 notificações de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas adulteradas: 16 casos confirmados e 209 em investigação. Entre eles, ocorreram 15 mortes, das quais 13 ainda estão sob investigação. A maior concentração de casos é em São Paulo, com 14 confirmações e 178 suspeitas.

Medidas de prevenção e tratamento
A SES-RJ iniciou a compra de kits para tratamento de intoxicações, incluindo a primeira remessa de etanol farmacêutico enviada pelo Ministério da Saúde. O antídoto permitirá início mais rápido do tratamento de pacientes intoxicados.
A secretaria reforça a vigilância sobre os dois casos suspeitos e recomenda que a população evite bebidas alcoólicas de procedência duvidosa.

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