Uma pesquisa realizada em 2024 pela Euromonitor International para a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) aponta que 20% das garrafas de uísque e vodca vendidas no Brasil são falsificadas. O levantamento também mostra que 28% do volume total de bebidas destiladas comercializadas está envolvido em crimes como sonegação fiscal, contrabando, falsificação ou produção sem registro.
Casos de intoxicação por metanol aumentam no país
O número de notificações por suspeita de contaminação por metanol cresce em diversas regiões. Até esta sexta-feira (3), a Bahia registrou a primeira morte suspeita, enquanto São Paulo contabiliza 53 casos, Pernambuco 6, e o Distrito Federal e Paraná têm um caso cada. O metanol, substância altamente tóxica, é usado em falsificações e representa grave risco à saúde.
Principais métodos de falsificação
O estudo identificou dois métodos recorrentes: o “refil” de garrafas de marcas conhecidas com produtos baratos e a utilização de álcool impróprio, como o metanol, para criar bebidas adulteradas. A diferença de preços é significativa: garrafas falsificadas podem custar, em média, 35% menos, chegando a 48% mais barato em vendas online.
Fatores que alimentam o mercado ilegal
João Garcia, gerente de consultoria da Euromonitor, aponta que a alta carga tributária, a dificuldade de fiscalização, a sofisticação das redes criminosas e a expansão de canais digitais ajudam a manter a venda de bebidas falsificadas.
Investigações e suspeitas sobre a origem do metanol
A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) levantou a hipótese de que o metanol usado na adulteração possa ter origem em distribuidoras de combustíveis ligadas ao PCC. Após operação policial que impediu o uso da substância em combustíveis, o produto teria sido repassado a destilarias e distribuidoras de bebidas. O governo de São Paulo, no entanto, negou qualquer ligação com a facção.
Emergência médica: sintomas e riscos
A intoxicação por metanol é extremamente grave. Ao ser ingerido, o corpo o metaboliza em formaldeído e ácido fórmico, podendo levar à morte. Entre os principais sintomas estão visão turva ou perda de visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese intensa.
Ações dos órgãos fiscalizadores
O Procon-SP já fiscaliza bares, restaurantes, adegas, casas noturnas e supermercados e planeja intensificar a fiscalização em parceria com o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) da Polícia Civil de São Paulo.






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