Polêmica sem fim: Justiça é acionada para suspender lei que entrega Sambódromo ao governo estadual

Deputado Luiz Paulo entra com ação no Tribunal de Justiça contra medida que transfere controle da Passarela do Samba da prefeitura para o estado do Rio

O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) ingressou, nesta terça-feira (8), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) contra a Lei Estadual nº 10.855/2025, que transfere a gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí – a Passarela do Samba – da Prefeitura do Rio para o Governo do Estado. O parlamentar já havia ameaçado barrar a iniciativa quando o texto foi aprovado pela Assembleia Legislativa (Alerj).

A medida foi tomada poucos dias após a Casa derrubar o veto do governador Cláudio Castro (PL) ao texto, que é de autoria do líder da base, deputado Rodrigo Amorim (União Brasil).

Na ação, o parlamentar pede a suspensão imediata dos efeitos da lei por meio de tutela de urgência e solicita que o TJ-RJ intime a Alerj, o governador Cláudio Castro, o procurador-geral do Estado, o procurador-geral de Justiça e o prefeito Eduardo Paes, para que prestem esclarecimentos sobre a matéria.

Para Luiz Paulo, que é vice-presidente da Comissão de Tributação do Parlamento, a lei representa uma afronta ao direito adquirido do Município do Rio de Janeiro sobre a área em questão. Ele afirma que a transferência da gestão tem caráter político, e não constitucional.

“Estava aguardando a publicação da Lei para ingressar com esta ação. A fusão entre o Estado da Guanabara e o Estado do Rio completou 50 anos. Esses terrenos eram da Prefeitura do antigo Distrito Federal, depois passaram para o Estado da Guanabara e, com a fusão, a Lei Complementar Federal nº 20/1974 determinou que o então governador Faria Lima legislasse por decreto. O Decreto-Lei nº 224/1975 reconheceu o domínio da Prefeitura do Rio sobre toda essa área da Cidade Nova, em posse mansa e pacífica até hoje. A nova lei fere esse direito”, declarou o deputado.

Derrubando o veto

A controvérsia se intensificou em 30 de junho, quando os deputados derrubaram o veto do governador à proposta que transfere para o estado a gestão do Sambódromo, retirando o controle do local das mãos da prefeitura. Desde então, o parlamentar vinha sinalizando que poderia recorrer ao Judiciário. Com a promulgação da norma, decidiu formalizar sua contestação .

A decisão sobre a ação agora está nas mãos do TJ-RJ, que deverá avaliar se concede a liminar para suspender os efeitos da lei até o julgamento final da ADI.

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