Felipe Secchin, membro da família proprietária da Navegação Mansur, a que pertence o navio São Luiz, afirma que seu desejo era reformá-lo, em memória do avô. No entanto, o sonho foi atrapalhado por disputas judiciais. Na segunda-feira, o São Luiz virou o vilão da Baía de Guanabara.
Depois de estar ali fundeado há seis anos, suas amarras se romperam com os fortes ventos e o gigante de cerca de 60 mil toneladas chocou-se contra a Ponte Rio-Niterói, impedindo a travessia, o que causou um nó no trânsito da região e transtornos na volta para casa de quem precisava passar pela via.
— Poderia ter ocorrido o pior . Mas ainda bem que deu tudo certo no final — comenta o empresário. — No momento, a embarcação se encontra no cais, atracada, com mais segurança. E, graças a Deus, não houve uma tragédia — ressalta Secchin, em entrevista exclusiva ao Extra online, elogiando o trabalho dos rebocadores que levaram o graneleiro São Luiz do local do acidente até o porto.
Ele conta que a Navegação Mansur alugou a embarcação para uma empresa que não teria cumprido o contrato de locação:
— Resolvemos, por motivos internos da nossa empresa, alugar a embarcação por um determinado período. A locatária não agiu de boa-fé, quebrando os prazos dos contratos e, inclusive, dos pagamentos, agravando ainda mais a situação. Por fim, ela abandonou o navio ali, onde estava há seis anos fundeado.
O abandono selou o destino do São Luiz. Deteriorando-se a cada dia por conta das intempéries do tempo e da maresia, o graneleiro parecia um navio-fantasma, no meio da Baía de Guanabara. À noite, quem passava pela Ponte Rio-Niterói, via aquela estrutura imensa praticamente sem iluminação.
— Esse processo judicial, erroneamente, causou o embargo do navio, nos impedindo de fazer qualquer negócio com ele, inclusive não autorizando a saída da embarcação daquele local onde estava fundeado há seis anos — queixa-se o empresário.
Segundo ele, como queria reformá-lo, mantinha tripulantes na embarcação, por obrigação às normas marítimas.
— Embora com tripulação, o São Luiz sofreu alguns assaltos, inclusive piratas. Nossa empresa fez diversas queixas à polícia, mas não observamos nenhuma segurança efetiva — afirma ele.






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