PM tem prisão temporária decretada por morte na Barra

Agente confessou ter atirado em homem após discussão em casa noturna; versão de legítima defesa é contestada pelo Ministério Público e pela família da vítima

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio decretou, na madrugada desta quarta-feira, a prisão temporária por 30 dias do policial militar Milton Lopes dos Santos, investigado pela morte de Ryan Victor Araújo dos Santos, de 28 anos. O agente já estava detido desde a tarde de terça-feira, quando se apresentou na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

De acordo com a decisão, o policial confessou ter efetuado o disparo que matou a vítima na noite de domingo, em um restaurante na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Ele alegou ter agido em reação a uma suposta agressão iminente.

As investigações apontam que Ryan se envolveu em uma discussão relacionada ao acesso a um camarote, durante um evento com roda de samba no estabelecimento. No entanto, o Ministério Público do Rio contesta a versão apresentada pelo policial. Segundo o órgão, não há elementos independentes que comprovem risco real e imediato que justificasse o uso de força letal. Ao contrário, o conjunto de provas indica ausência de ameaça concreta.

Família contesta versão

A família da vítima também rebateu a narrativa de que Ryan teria participado de uma confusão. Em nota, os parentes afirmam que não há confirmação oficial sobre a dinâmica dos fatos e criticam tentativas de atribuir responsabilidade à vítima sem conclusão das investigações.

A Polícia Militar informou que a corregedoria abriu procedimento para apurar a conduta do agente.

O restaurante onde ocorreu o crime declarou, por meio de seu advogado, que colabora com as investigações e busca imagens de câmeras de segurança para esclarecer o ocorrido. Segundo relatos de testemunhas apresentados pela defesa do estabelecimento, o autor do disparo estaria do lado de fora e teria entrado no local no momento da confusão antes de atirar e fugir.

O crime aconteceu por volta de 1h, com o estabelecimento cheio. Testemunhas relataram que, durante a discussão, o atirador sacou a arma e disparou contra a vítima, atingida na região do abdômen. Ryan chegou a ser socorrido por policiais militares, mas não resistiu aos ferimentos.

A perícia esteve no local e o camarote onde ocorreu a confusão foi isolado para investigação. O caso segue em apuração.

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